Internacional
Atentado em consulado dos EUA deixa 11 mortos
Islamabad (Paquistão) ? Onze pessoas morreram e ao menos 40 ficaram feridas ontem em um atentado à bomba contra o consulado norte-americano na cidade portuária de Karachi, no sul do Paquistão, segundo um novo balanço de fontes médicas. As autoridades paquistanesas informaram que não havia norte-americanos entre os mortos. De acordo com a polícia paquistanesa, um suicida dirigindo um carro carregado de explosivos bateu contra um posto de segurança do lado de fora do prédio do Consulado dos EUA por volta das 11h (2h em Brasília). Entre os mortos, estão dois agentes de vigilância da porta principal do consulado norte-americano e seis empregados do consulado ? um norte-americano e cinco paquistaneses. O atentado acontece um dia depois de o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, deixar Islamabad, durante sua viagem ao sul asiático com o objetivo de atenuar as tensões entre a Índia e o Paquistão, que disputam a região da Caxemira. Testemunhas descreveram a explosão como ?poderosa?. Uma parede do consulado foi danificada pelo carro-bomba, que criou uma enorme cratera no chão e destruiu janelas de prédios vizinhos. Vinte carros que estavam na área foram danificados. Partes de corpos das vítimas foram lançadas a quase 200 metros. Muhammad Khalid, que testemunhou o incidente, disse que só se recorda de um grande calor antes de desmaiar. Kario, um ciclista que ficou gravemente ferido, consegue se lembrar de estar cercado de fumaça. ?Senti como se uma montanha tivesse caído sobre mim.? Ninguém assumiu a autoria pelo atentado, mas todas as suspeitas recaem sobre radicais islâmicos que se opõem ao apoio paquistanês à ?guerra ao terrorismo? dos Estados Unidos. Primeiro, o presidente Pervez Musharraf se aliou incondicionalmente a Washington depois de 11 de setembro. Mais recentemente, em janeiro, anunciou que vai combater a guerrilha islâmica que age na Caxemira indiana e tem o Paquistão como base. Hamid Harron, editor do jornal ?Dawn?, considera esse atentado uma demonstração de que o Paquistão também é uma vítima do terrorismo. Para ele, a Índia e os EUA deveriam tentar compreender suas dificuldades em conter os grupos islâmicos. ?Possivelmente agora os políticos em Nova Déli e o próprio senhor Rumsfeld vejam que conter os terroristas não é tão fácil?, afirmou. ?Isso exige um trabalho sistemático e não uma linha rígida, estilo ?é agora ou nunca?, que estamos vendo nos últimos três meses?, frisou.