Internacional
Pobres catam comida em lixo para n�o morrer de fome na Argentina
Buenos Aires ? Na cidade mais pobre da Argentina, as pessoas vasculham o lixo em busca de restos de comida ao lado de porcos e cachorros vira-lata. O nível de desemprego chega a 40% e até o prefeito admite que o inferno está logo ali na esquina. Desesperados e famintos, em meio à pior crise econômica do país, dezenas de desempregados reúnem-se todo dia no lixão da cidade de Concordia para revirar os montes de sacos plásticos, pedaços de vidro e bitucas de cigarro em busca do almoço. ?Costumávamos achar peles de galinha e pedaços de batata para levar para nossos filhos, mas agora muitas pessoas vêm aqui?, disse Fabian Martinez, 28, enquanto ao lado de outros se aproximava de um caminhão de lixo que acabava de chegar. Como aconteceu com a própria Argentina, décadas de corrupção e caos econômico fizeram da antes brilhante Concordia um dos lugares mais pomposos do mundo, uma terra arrasada e tomada pelo crime, pela pobreza e pela ruína financeira. Há apenas um século, a ?Capital Cítrica da Argentina?, ao norte de Buenos Aires, era uma exportadora de laranjas, madeira e carne. Levas de imigrantes alemães e italianos chegaram à região para plantar luxuosos orquidários e colher safras lucrativos em uma das terras mais ricas do mundo. Hoje, um recorde nacional de 70% dos 140 mil moradores de Concordia não conseguem suprir suas necessidades básicas nas áreas de alimentação, saúde e vestimenta. Com 1 dólar, pode-se comprar 20 quilos de laranja em um banca de frutas da cidade. E as favelas de Concordia estão cercadas por milhares de terras inutilizadas. Muitos dos problemas locais são conseqüência dos quatro anos de recessão que colocou o sistema financeiro do país à beira de um colapso, fechou indústrias e deixou metade dos 36 milhões de argentinos na pobreza. E Concordia parece um microcosmo dos problemas do país.