Negociações
Lula pede que Macron ‘abra o coração’ para acordo com Mercosul
Em visita oficial à França, presidente brasileiro defendeu o livre comércio entre os países
Durante declaração conjunta com Emmanuel Macron ontem, na França, o Presidnete Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o líder francês “abra o coração” para o acordo Mercosul, bloco econômico criado com a assinatura do Tratado de Assunção, em 1991, pelo então Presidente Fernando Collor.
Ao demonstrar determinação para fechar o acordo do bloco com a União Europeia, Lula afirmou que não tem interesse em voltar ao protecionismo e defendeu o livre comércio entre os países.
O presidente brasileiro também abordou a questão da competitividade e potencial econômico envolvido na negociação:
“Nos anos 80, me convenceram de que era preciso ter livre comércio, eu era contra. De que era preciso a globalização, eu era contra. Aí depois que o Brasil entra, agora os que propuseram não querem mais? Porque nós ficamos competitivos? Porque nós temos condições de competir? Isso não vale”, disse Lula.
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“São 22 trilhões de dólares que estarão no posto da negociação e 700 milhões de habitantes. Não é pouca coisa esse acordo”, finalizou o chefe de Estado.
MERCOSUL E UE
Lula reafirmou seu compromisso em firmar o acordo durante seu mandato na presidência do Mercosul: “Eu tenho seis meses de mandato no Mercosul. E quero dizer aqui que eu deixarei a presidência do Mercosul com o acordo União Europeia e Mercosul firmado”.
O presidente brasileiro também se mostrou disposto a dialogar com os agricultores franceses para demonstrar os benefícios mútuos do acordo:
“Se precisar, eu venho conversar com os agricultores franceses. Se precisar, eu venho conversar para mostrar para que vão ganhar com o acordo entre Brasil e Mercosul”.
Lula concluiu expressando sua confiança na possibilidade de um consenso:
“Estou convencido, Macron, que eles vão ganhar. Se você quiser, leva um grupo de agricultores para o Brasil ou eu trago um grupo aqui, vamos sentar numa mesa qualquer aí e conversar, eu tenho certeza que a gente faz o acordo”.
DISPARIDADES REGULATÓRIAS E COMPETIÇÃO INJUSTA
Em contrapartida, Emmanuel Macron expressou preocupações sobre o acordo comercial. O líder francês destacou os possíveis impactos negativos para os agricultores europeus, enfatizando a necessidade de ajustes no texto do acordo.
Macron afirmou: “Este acordo, nesse momento estratégico, é bom para muitos setores, mas comporta um risco para os agricultores europeus”.
Ele explicou que a discrepância nas regulamentações entre os blocos econômicos cria uma situação injusta para os produtores europeus, que são obrigados a seguir normas ambientais mais rigorosas.
O presidente francês apontou que, enquanto a Europa proíbe o uso de certos agrotóxicos e exige práticas mais sustentáveis de seus agricultores, os países do Mercosul não estão sujeitos às mesmas restrições.
“Como é que eu vou explicar aos agricultores que, no momento em que eu exijo que respeitem as normas, eu abro o mercado para os que não respeitam essas normas?”, questionou Macron.