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Desfile militar

Xi afirma que China ‘não se intimida com valentões’

Pequim mostra poder bélico e reforça aliança com líderes rivais dos EUA

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Presidente Xi Jinping participou ontem de grande desfile militar
Presidente Xi Jinping participou ontem de grande desfile militar | Foto: LINTAO ZHANG/GETTY IMAGE

A China realizou ontem o maior desfile militar de sua história, em uma demonstração do crescente poder bélico e influência geopolítica do país. Durante a cerimônia, o presidente Xi Jinping afirmou que o mundo, agora, está diante da escolha entre paz ou guerra. O desfile na Praça da Paz Celestial, em Pequim, marcou os 80 anos da derrota do Japão no fim da Segunda Guerra Mundial.

O líder chinês disse a milhares de soldados reunidos que a China não se deixaria intimidar por nenhum país, enquanto Pequim briga com Washington por questões comerciais, tecnológicas e outras, e Xi trabalha para criar uma alternativa à ordem global liderada pelos EUA.

"A nação chinesa é a grande nação que nunca se intimida com valentões", disse Xi antes do desfile militar, que agora passa pelo centro de Pequim. "No passado, diante de lutas cruciais entre o bem e o mal, a luz e as trevas, o progresso e a reação, o povo chinês se uniu para derrotar o inimigo", disse ele.

Embora não tenha nomeado nenhum país ou oponente específico, autoridades chinesas normalmente criticam os EUA como valentões e condenam o que chamam de "hegemonia ocidental".

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A resposta de Xi à chamada hegemonia ocidental é construir uma nova ordem mundial, um esforço que ficou evidente ontem, quando ele e outros líderes cautelosos com Washington – incluindo o presidente russo Vladimir Putin e o líder norte-coreano Kim Jong Un – caminharam lado a lado em uma demonstração flagrante de poder.

Em discurso para mais de 50 mil espectadores, Xi afirmou que o povo chinês “permanece firmemente do lado certo da história” e comentou as tensões globais.

O desfile, chamado de "Dia da Vitória", incluiu sobrevoos aéreos, tropas marchando e a apresentação de equipamentos militares de última geração, como mísseis hipersônicos, drones e tanques modernos. Antes do discurso principal, Xi passou em revista as tropas alinhadas em formação.

Pela primeira vez, a China exibiu sua tríade nuclear completa de armas, que podem ser implantadas por terra, mar e ar, incluindo um míssil balístico intercontinental reformulado, o DF-5C, com alcance de 20.000 km, e um novo míssil de longo alcance móvel, o DF-61.

O evento ocorre em meio a tensões globais. A postura de "América em primeiro lugar" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a guerra comercial travada por Washington com diversos países têm abalado alianças históricas.

Questionado na véspera se via o desfile como um desafio aos EUA, Trump negou e disse manter "uma relação muito boa" com Xi. "A China precisa muito mais de nós do que nós deles", afirmou. Já ontem, Trump usou as redes sociais para afirmar que Xi, Putin e Kim Jong-un estão conspirando contra os Estados Unidos..

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