Groelândia
UE reage a ameaça de Trump e avalia retaliação comercial
Bloco europeu considera acionar mecanismo conhecido como “bazuca” contra os EUA após anúncio de tarifas


Governos europeus reagiram com duras críticas ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre produtos de oito países da Europa.
A medida, segundo a Casa Branca, seria uma retaliação ao envio de tropas europeias à Groenlândia e pode evoluir para uma escalada comercial sem precedentes nas relações transatlânticas.
Estão na lista Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, todos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Trump afirmou ainda que a alíquota poderá subir para 25% em 1º de junho caso não seja alcançado “um acordo para a compra completa e total da Groenlândia”, território semiautônomo pertencente ao Reino da Dinamarca.
Diante do anúncio, embaixadores dos 27 países da UE se reuniram em caráter de emergência nesse domingo (18) para discutir uma resposta coordenada. Entre as opções em análise está a retomada de um pacote de tarifas de até € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) sobre produtos americanos, suspenso desde agosto do ano passado após um acordo comercial entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e Trump.
A França defendeu uma reação mais dura e sinalizou que pedirá a ativação do Instrumento Anticoerção (ACI), mecanismo aprovado em 2023 e nunca utilizado, conhecido como a “bazuca” comercial da Europa. A ferramenta permite impor restrições a importações, investimentos e ao acesso de empresas americanas — inclusive grandes companhias de tecnologia — ao mercado europeu. Poucas horas após o ultimato, partidos do Parlamento Europeu também anunciaram o adiamento de uma votação que previa reduzir tarifas sobre produtos dos EUA.
As possíveis retaliações estão sendo calibradas como instrumento de pressão para negociações durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, que ocorre nesta semana. A expectativa é que Trump participe do evento entre quarta e quinta-feira, quando deve se reunir com Ursula von der Leyen e outras autoridades europeias.
