Davos
Trump recua de tarifa e fala em esboço de acordo sobre Groenlândia
Presidente dos EUA descarta uso da força militar para incorporar a ilha


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nessa quarta-feira que recuou da ameaça de impor novas tarifas a aliados europeus como parte da pressão para obter o controle da Groenlândia.
A decisão foi divulgada em uma publicação nas redes sociais, após reuniões realizadas à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Segundo Trump, houve um “esboço” de acordo – sem detalhes públicos – envolvendo a Groenlândia e a segurança da região do Ártico, discutido em encontro com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. O presidente afirmou que as negociações continuarão sob a liderança do vice-presidente JD Vance, do secretário de Estado Marco Rubio e de outros representantes do governo americano.
O recuo ocorre dias depois de Trump ter elevado a tensão com a Europa ao anunciar tarifas adicionais de até 35% contra países que se opusessem ao projeto de anexação da ilha semiautônoma ligada à Dinamarca. Entre os alvos estavam Reino Unido, Alemanha e França. Antes disso, o governo americano já havia anunciado tarifas de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, com possibilidade de aumento para 25% em junho.
A escalada provocou forte reação no continente. O Parlamento Europeu suspendeu a ratificação de um acordo comercial com Washington, assinado em julho, e a União Europeia passou a discutir medidas de retaliação que incluem tarifas de até 93 bilhões de euros e restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado europeu.
FORÇA MILITAR
Em Davos, Trump descartou o uso da força militar para incorporar a Groenlândia, mas reiterou que considera a posse do território essencial para a segurança nacional dos Estados Unidos. Em entrevistas, afirmou ter alcançado um “conceito de acordo” de longo prazo, descrito por ele como “definitivo” e “sem prazo”.
Líderes europeus reagiram com cautela. O primeiro-ministro da Holanda, Dick Schoof, avaliou como positiva a retirada da ameaça tarifária, enquanto a premiê da Itália, Giorgia Meloni, defendeu a continuidade do diálogo entre aliados. Autoridades da Dinamarca, por sua vez, reiteraram que não aceitam a transferência da soberania da Groenlândia, embora admitam discutir formas de ampliar a presença americana na região.
O anúncio de Trump teve impacto imediato nos mercados financeiros. Wall Street ampliou ganhos ao longo do dia, e o dólar se valorizou frente ao euro, após temores de uma guerra comercial prolongada entre Estados Unidos e União Europeia.
Apesar do gesto de desescalada, o discurso do presidente americano manteve tom duro em relação aos aliados. Trump voltou a defender “negociações imediatas” para a transferência da Groenlândia e indicou que considera insuficientes alternativas como acordos de arrendamento ou licenças, mantendo a pressão diplomática sobre a Europa.
