Caça a imigrantes ilegais
Trump sinaliza ajuste em operação migratória após mortes em Minesota
Casa Branca avalia reduzir presença federal em Minneapolis diante de protestos e perda de apoio


Diante de críticas dentro do próprio Partido Republicano, ações judiciais e do impacto político às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou ontem uma mudança de tom na operação migratória em Minnesota.
A inflexão ocorre dias após a morte de um manifestante durante uma ação federal em Minneapolis, episódio que desencadeou nova onda de protestos na cidade e ampliou a pressão sobre a Casa Branca.
Na segunda-feira, Trump afirmou ter tido uma “boa conversa” com o governador de Minnesota, o democrata Tim Walz, e anunciou o envio de Tom Homan, seu assessor especial para imigração, para comandar as forças federais no estado. O presidente também indicou que avalia reduzir o contingente de agentes federais mobilizados — atualmente estimado em cerca de 3 mil.
Em publicação na rede Truth Social, Trump confirmou que Homan se reportará diretamente a ele. Pouco depois, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou o deslocamento, sem esclarecer se o comandante da operação em Minneapolis, Gregory Bovino, permanecerá no estado.
Bovino tem sido alvo de críticas por ações consideradas violentas durante operações migratórias e na repressão a protestos. Desde o início do mês, duas pessoas morreram em ações envolvendo agentes federais em Minneapolis: Renee Good e Alex Pretti, ambos cidadãos americanos de 37 anos. Além disso, uma criança de cinco anos chegou a ser detida durante uma abordagem.
A morte de Pretti, enfermeiro de UTI, ocorreu durante um protesto no fim de semana. Autoridades federais afirmaram inicialmente que ele teria atacado os agentes e estaria armado. Imagens divulgadas posteriormente contradizem essa versão e indicam que o manifestante segurava apenas um telefone celular, enquanto a arma permanecia na cintura. Até a Associação Nacional do Rifle (NRA) criticou declarações precipitadas e defendeu que se aguarde a conclusão das investigações.
Ao comentar o caso, Trump adotou um tom mais cauteloso. Em entrevista ao Wall Street Journal, afirmou que o episódio está sendo analisado. Na Casa Branca, classificou a morte como “muito triste” e evitou endossar a versão apresentada por integrantes de sua administração. Questionado sobre declarações que chamaram Pretti de “assassino”, o presidente respondeu que não concorda com essa caracterização, embora tenha reiterado críticas ao porte de armas em manifestações.
A crise expôs divergências internas no governo. Enquanto o chefe adjunto de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o vice-presidente JD Vance sustentaram a narrativa de confronto armado, a porta-voz presidencial afirmou que Trump não utilizou esse tipo de linguagem.
A operação em Minnesota ocorre em um momento de desgaste da política migratória do governo. Pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira mostra que a aprovação das medidas migratórias caiu para 39%, ante 50% registrados há cerca de um ano. A queda é mais acentuada entre eleitores moderados e minorias, grupos considerados decisivos nas eleições legislativas.
Apesar da sinalização de ajuste, Trump indicou que não pretende recuar da agenda migratória. No domingo, voltou a defender o fim das chamadas “cidades santuário” e anunciou novas investigações envolvendo autoridades democratas, incluindo a deputada Ilhan Omar, que reagiu afirmando que o presidente “está em pânico”.
No Judiciário, uma juíza federal de Minnesota analisou pedidos das autoridades locais para restringir a atuação das forças federais no estado, mas não tomou decisão imediata. O Departamento de Justiça foi instado a responder a questionamentos adicionais, enquanto segue a apuração sobre a morte de Pretti.
