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Treinamento militar

Irã recebe mil drones e anuncia exercícios com munição real

Manobras ocorrerão no Estreito de Ormuz, após ameaças feitas pelo presidente dos EUA

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Drones foram distribuídos a vários ramos das Forças Armadas
Drones foram distribuídos a vários ramos das Forças Armadas | Foto: Exército do Irã

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou que realizará exercícios militares com munição real nos dias 1º e 2 de fevereiro, no Estreito de Ormuz, região estratégica por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. A informação foi divulgada ontem pela mídia estatal iraniana, em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos.

De acordo com a emissora estatal Press TV, os treinamentos serão conduzidos pela Marinha da Guarda Revolucionária e ocorrerão simultaneamente a manobras das Forças Aéreas Centrais dos EUA (AFCENT) no Oriente Médio, área sob responsabilidade do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM).

A movimentação militar ocorre após ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, de uma possível intervenção no Irã. O governo dos EUA tem pressionado Teerã tanto pela repressão aos recentes protestos no país quanto pela dificuldade de avanço nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Na quarta-feira (28), Trump afirmou que um eventual ataque dos Estados Unidos ao Irã seria “muito pior” caso o governo iraniano se recuse a negociar. Já na segunda-feira (26), o CENTCOM confirmou a chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln ao Oriente Médio. Segundo Trump, a embarcação tem como destino o Irã e estaria “pronta, disposta e apta” para cumprir sua missão.

DRONES

Em resposta ao aumento das tensões, o Irã também anunciou o recebimento de um lote de mil drones, distribuídos a diferentes ramos de suas Forças Armadas. A informação foi divulgada pela agência semioficial Tasnim.

O comandante-chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, afirmou que o país mantém e amplia suas capacidades estratégicas para responder rapidamente a qualquer agressão.

O cenário se agrava em meio às consequências dos protestos ocorridos no Irã nas últimas semanas. Segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, as manifestações resultaram na morte de 5.858 pessoas, incluindo 100 menores de 18 anos, além de mais de 11 mil feridos e cerca de 42 mil prisões. Trump afirmou que poderá intervir caso manifestantes sejam executados.

No histórico recente do conflito, em junho do ano passado, os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares iranianas durante confrontos entre Israel e Irã. Em retaliação, Teerã lançou um ataque contra a Base Aérea de Al-Udeid, no Catar.

GUARDA REVOLUCIONÁRIA

A União Europeia (UE) decidiu incluir a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) na lista de organizações terroristas adotada pelo bloco. A decisão foi anunciada ontem. Além disso, 15 autoridades iranianas e seis organizações foram sancionadas pelo bloco europeu.

Tais ações, segundo a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, são uma resposta aos “assassinatos em massa” no Irã durante a recente onda de protestos no país. De acordo com ativistas de direitos humanos, mais de 6 mil pessoas já morreram durante as manifestações contra o governo do aiatolá Ali Khamenei e a crise econômica local. Teerã nega essa estimativa.

Em comunicado divulgado na rede social X, a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a classificação da IRGC como grupo terrorista devia ter acontecido “há muito tempo”.

“Terrorista é, de fato, como se chama um regime que esmaga com sangue os protestos do seu próprio povo”, diz trecho da mensagem.

REAÇÃO DO IRÃ

Fundada após a revolução no país em 1979, que deu início ao governo dos aiatolás, a Guarda Revolucionária do Irã é um braço das Forças Armadas iranianas. Seu principal objetivo é defender o sistema islâmico em vigor no país. Estimativas apontam que a IRGC pode ter até 200 mil combatentes.

Após o anúncio da UE, o chanceler iraniano acusou a Europa de tentar inflamar a tensão no Irã. Em comunicado, Abbas Araghchi classificou a decisão como “grande erro estratégico”.

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