Diplomacia
Presidente de Cuba diz estar disposto a dialogar com os EUA
Declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Havana e Washington


O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou ontem que o governo cubano está disposto a dialogar com os Estados Unidos, desde que as conversas ocorram “sem pressões, sem precondicionamentos” e com respeito à soberania do país.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Havana e Washington, intensificadas após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.
“Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos sobre qualquer tema”, disse Díaz-Canel, ao acrescentar que o diálogo só é possível “em uma posição de igualdade e respeito à nossa soberania”.
As declarações do mandatário cubano contrastam com o discurso recente do governo norte-americano. Também nesta quinta-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Cuba vive seus “últimos momentos” e estaria à beira do colapso.
Apesar do tom crítico, ela ressaltou que o presidente Donald Trump permanece aberto à via diplomática. “O presidente está sempre disposto a se engajar na diplomacia”, afirmou.
Nos últimos dias, Trump endureceu a retórica contra Havana e chegou a sinalizar a possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos no país caribenho. Como parte da estratégia de pressão, Washington pediu que a nova administração da Venezuela — agora alinhada aos interesses norte-americanos — interrompa o fornecimento de petróleo a Cuba.
Além disso, o presidente norte-americano autorizou uma ordem executiva prevendo tarifas contra países que continuem abastecendo a ilha com combustível.
No domingo (1º), no entanto, Trump adotou um tom mais moderado ao afirmar que os Estados Unidos mantêm contato com “as pessoas mais altas” do governo cubano, indicando a possibilidade de um acordo antes de qualquer medida mais dura. Segundo ele, a diplomacia segue como uma alternativa viável.
Cuba convive há 64 anos com um bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, que Havana classifica como a principal causa das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores cubano afirmou que a ilha não representa ameaça à segurança norte-americana e mantém política de tolerância zero ao terrorismo e à lavagem de dinheiro.
“O diálogo construtivo, a cooperação lícita e a coexistência pacífica beneficiam os povos cubano e norte-americano”, afirmou a chancelaria, ao reiterar que eventuais contatos passados com indivíduos posteriormente classificados como terroristas ocorreram apenas em contextos humanitários ou ligados a processos de paz reconhecidos internacionalmente.
