Possível acordo
Irã confirma negociações com os EUA para encerrar guerra
Governo iraniano negou que esteja discutindo restrições a seu programa nuclear
O governo do Irã confirmou nessa quarta-feira (6) que mantém negociações com os Estados Unidos para encerrar a guerra no Golfo, mas negou que, nesta etapa das conversas, esteja discutindo restrições ao seu programa nuclear. A informação foi divulgada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, em entrevista à agência estatal Isna.
Segundo Baghaei, Teerã avalia uma proposta apresentada pelos americanos, mas rejeitou informações publicadas pelo site Axios de que o possível acordo incluiria uma moratória no enriquecimento de urânio em troca da suspensão de sanções e da liberação de ativos iranianos congelados. O porta-voz classificou as supostas exigências como “excessivas e irrealistas”.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nas redes sociais que a guerra poderá terminar caso o Irã “ceda ao que foi acordado”, embora tenha voltado a ameaçar o país persa com bombardeios “mais intensos” caso não haja entendimento. Trump, porém, não detalhou os termos em discussão.
De acordo com o Axios e com informações confirmadas pela agência Reuters, mediadores paquistaneses conduzem negociações para um memorando preliminar de uma página e 14 pontos que poderia encerrar formalmente o conflito. O documento abriria caminho para futuras negociações envolvendo a reabertura plena do Estreito de Ormuz, a suspensão de sanções americanas e eventuais limitações ao programa nuclear iraniano.
Fontes ligadas à mediação afirmam que os EUA consideram o acordo mais próximo do que em qualquer outro momento desde o início da guerra. As conversas estariam sendo lideradas, do lado americano, pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro de Trump.
Apesar do avanço das negociações, temas considerados centrais por Washington não apareceram nas informações divulgadas até agora, como restrições ao programa de mísseis iraniano, o fim do apoio de Teerã a milícias aliadas no Oriente Médio e o destino do estoque iraniano de urânio enriquecido.
A possibilidade de um acordo repercutiu imediatamente nos mercados internacionais. Os preços do petróleo despencaram mais de 8%, enquanto bolsas globais registraram alta diante da expectativa de redução das tensões no Oriente Médio e normalização do fluxo de energia na região.
Em meio ao avanço das tratativas, Trump também anunciou a suspensão de uma operação naval americana destinada a reabrir o Estreito de Ormuz, alegando progresso nas negociações diplomáticas. O Irã, por sua vez, declarou que a navegação na região poderá ser retomada “sob novos termos”, sem detalhar as condições.