CONFLITO
‘Não vejo motivos para me encontrar com Zelensky’, diz Putin
A afirmação foi uma resposta direta à carta aberta publicada pelo líder da Ucrânia em que propunha reunião presencial
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou categoricamente nessa sexta-feira (5) que não vê, no momento atual, motivos para se encontrar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
A afirmação foi uma resposta direta à carta aberta publicada pelo líder da Ucrânia na véspera, na qual propunha uma reunião presencial fora do território de ambos os países e um cessar-fogo total para negociar o fim do conflito.
Embora o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, tivesse sinalizado anteriormente que Zelensky seria bem-vindo em Moscou a qualquer momento, a postura do governo mudou após Putin analisar o teor do documento.
Ao avaliar a mensagem, o chefe do Kremlin classificou o texto como grosseiro em alguns trechos e questionou a real intenção de Kiev, argumentando que a iniciativa parecia mais uma estratégia para evitar o diálogo do que para promovê-lo.
A percepção de que a carta não passava de um pretexto foi endossada por nacionalistas russos, que a rotularam como uma manobra maliciosa de relações públicas desenhada para insuflar a insatisfação interna na Rússia.
No documento, Zelensky teceu duras críticas à política externa de Putin nas últimas duas décadas e expôs os impactos econômicos e humanos da guerra para os próprios russos, antes de conclamar o homólogo a escolher o fim das hostilidades com base na honestidade e em garantias mútuas.
A rejeição de Putin ao encontro reforça a postura intransigente que ele já vinha demonstrando em reuniões recentes com a imprensa internacional, nas quais exaltou o avanço diário de suas tropas no campo de batalha.
Enquanto os dois lados continuam a se acusar mutuamente pelo impasse diplomático, o líder russo chegou a acenar positivamente para os planos de paz sugeridos pelo presidente norte-americano, Donald Trump, indicando que o fim dos combates dependeria de concessões por parte de Kiev.
Desse modo, a sugestão de Zelensky de mediar as conversas em solo neutro, como na Suíça, na Turquia ou no mundo árabe, acabou esbarrando no julgamento de Moscou de que as condições para um aperto de mãos definitivo ainda estão distantes de serem alcançadas.
EUA
O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu com entusiasmo à possibilidade de encontro entre os líderes. "Acho que seria ótimo se eles se encontrassem. Deveriam resolver isso", disse a repórteres na Casa Branca.
Pesquisadores, porém, são céticos quanto às perspectivas de avanço. Elina Beketova, do Centro para Análise de Políticas Europeias, avalia que o Kremlin tem pouco interesse genuíno em negociar. "Os ataques recentes contra a Ucrânia indicam que a Rússia não está pronta para uma desescalada", diz.