Conflito
EUA atacam Irã após helicóptero americano ser abatido em Ormuz
Imprensa iraniana relatou explosões na província de Hormozgan, localizada no sudoeste do país
O governo norte-americano disse ter realizado “ataques de autodefesa” contra o Irã, em resposta a queda de um helicóptero dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. A operação, segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), aconteceu nessa terça-feira (9)
“As forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM) começaram a lançar ataques de autodefesa contra o Irã às 17h ET de hoje, por ordem do Comandante em Chefe, em resposta à derrubada de um helicóptero Apache do Exército dos EUA ontem. A missão é uma resposta proporcional à agressão iraniana injustificada”, disse um comunicado do Centcom.
Este é o segundo ataque dos EUA contra o Irã desde o cessar-fogo firmado entre os dois países, em 7 de abril.
Militares norte-americanos não deixaram claro quais pontos do Irã foram atacados. A mídia estatal do país persa, no entanto, relatou explosões na província de Hormozgan, localizada no sudeste do território iraniano.
inda há registros de ataques nas cidades de Kohestak, Sirik e Minab (onde uma escola primária foi bombardeada pelos EUA no início da guerra). Segundo agências estatais, explosões também foram ouvidas na ilha de Qeshm.
Mais cedo, o presidente Donald Trump acusou o Irã de ter derrubado um helicóptero AH-64 Apache dos EUA. A aeronave teria sido abatida na madrugada de segunda-feira (8), enquanto patrulhava a região. Segundo o líder norte-americano, dois pilotos que estavam a bordo foram resgatados com vida.
Por causa do incidente, o mandatário dos EUA prometeu que o país responderia ao caso.
O governo do Irã não se pronunciou sobre as acusações de Trump. O chanceler Abbas Araghchi, contudo, disse que forças estrangeiras próximas ao território iraniano correm “risco constante”, e pediu a retirada de tais atores da região.
A nova onda de tensões entre os dois países surgem em meio às incertezas sobre um possível acordo de paz.
Nos últimos dias, os acontecimentos no Oriente Médio afastaram, ainda mais, Washington e Teerã de uma solução diplomática para a guerra, que completou 100 dias nesta no último domingo (7).
O principal ponto diz respeito aos ataques de Israel contra o Líbano, visando o Hezbollah, que são vistos pelo Irã como uma flagrante violação ao acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA — que também faz parte da trégua firmada em abril com os norte-americanos.
“ÚLTIMOS ESFORÇOS”
Donald Trump afirmou ontem que as negociações com o Irã estão nos “últimos esforços”, e deu prazo de até três dias para um acordo. A ofensiva diplomática ocorre após a suspensão de ataques entre Irã e Israel, ainda frágil, em meio a bombardeios no Líbano, ameaças de retomada dos combates, ações de aliados, como o Hezbollah e os houthis iemenitas, e sinais contraditórios no terreno, mantendo elevada a tensão no Oriente Médio e nos mercados globais.
O anúncio de Trump foi feito horas depois de novos desdobramentos militares e diplomáticos no Oriente Médio, que, apesar da trégua anunciada na véspera, continuam a expor fragilidade no cessar das hostilidades.
Segundo o líder norte-americano, trata-se de um acordo que poderá ser “muito, muito bom”, em um momento em que Washington tenta encerrar um conflito que enfrenta resistência interna à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato.