Oriente Médio
Acordo entre EUA e Irã divide aliados e redesenha cenário no Oriente Médio
Israel vê riscos estratégicos e questiona os termos do entendimento a ser assinado nesta sexta-feira (19)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que o acordo para encerrar o conflito com o Irã está concluído e deve avançar para uma nova fase de negociações. A assinatura do memorando de entendimento está prevista para sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça, mas os detalhes do documento ainda não foram divulgados por Washington nem por Teerã.
Segundo Trump, o acordo inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, que deve acontecer na sexta-feira, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo, bloqueada pelo Irã desde o início da guerra. O presidente norte-americano também se mostrou favorável à participação de países europeus em uma força-tarefa destinada a reforçar a segurança na região.
Apesar do avanço diplomático, pontos considerados centrais para a estabilidade do Oriente Médio permanecem indefinidos. Entre eles estão o futuro do programa nuclear iraniano, o desenvolvimento de mísseis balísticos e o apoio de Teerã a grupos aliados na região, como Hezbollah, Hamas e Houthis.
O acordo também enfrenta resistências políticas. Autoridades iranianas cobraram o cumprimento integral das cláusulas previstas no memorando e exigiram o fim das operações militares no Líbano. Paralelamente, ataques registrados no sul do território libanês após o anúncio da trégua aumentaram as dúvidas sobre a capacidade de implementação do entendimento.
Em Israel, o acordo foi recebido com críticas tanto por integrantes da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quanto por líderes da oposição. Os questionamentos se concentram na ausência de compromissos explícitos sobre o desmantelamento da infraestrutura nuclear iraniana, a limitação do programa de mísseis e a contenção da atuação de grupos armados apoiados por Teerã.
O anúncio também evidenciou divergências entre Trump e Netanyahu. Nos últimos dias, o presidente norte-americano criticou publicamente ações militares israelenses no Líbano e defendeu uma redução das hostilidades para evitar impactos negativos nas negociações com o Irã.
Enquanto os mercados reagiram positivamente à perspectiva de paz, com queda nos preços internacionais do petróleo, especialistas avaliam que a consolidação do acordo dependerá da superação de impasses políticos e de segurança que ainda cercam as negociações entre Washington, Teerã e seus aliados na região.