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Entendimento

EUA e Irã assinam acordo de paz; medidas já estão em vigor

Memorando prevê suspensão de sanções e discussões sobre programa nuclear

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Irã se comprometeu a liberar totalmente a passagem por Ormuz
Irã se comprometeu a liberar totalmente a passagem por Ormuz | Foto: Reuters

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Irã, Masoud Pezeshkian, formalizaram ontem um acordo de paz que encerra o conflito iniciado em 28 de fevereiro e abre caminho para negociações destinadas a restabelecer a estabilidade no Oriente Médio. O memorando de entendimento (MoU), já em vigor, estabelece um período de 60 dias para a construção de um acordo definitivo entre os dois países.

A assinatura ocorreu de forma eletrônica. Segundo o governo iraniano, o documento foi validado virtualmente pelos chefes de Estado, enquanto a Casa Branca informou que Trump também assinou uma cópia física durante um jantar com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes, após a cúpula do G7. Com isso, foi cancelada a cerimônia presencial que estava prevista para sexta-feira (19), na Suíça.

“O texto do memorando de entendimento foi finalizado com as assinaturas dos presidentes. Agora é hora de testar a implementação deste acordo”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai.

O acordo prevê a suspensão imediata das sanções norte-americanas relacionadas à exportação de petróleo iraniano e ao bloqueio de portos do país. Caso as negociações avancem e um acordo final seja alcançado ao término dos 60 dias, Washington se compromete a retirar todas as demais sanções econômicas impostas a Teerã.

Um dos pontos centrais do memorando trata do programa nuclear iraniano. O Irã concordou em discutir um mecanismo para diluir seu estoque de urânio enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em resposta às preocupações internacionais sobre a possibilidade de desenvolvimento de armas nucleares.

ORMUZ

O texto também aborda a situação do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo. Teerã comprometeu-se a restabelecer, em até 30 dias, a plena circulação marítima na região e garantir, por um período inicial de 60 dias, a passagem segura e gratuita de embarcações comerciais.

Além das questões de segurança, o memorando prevê a criação de um fundo de até US$ 300 bilhões para apoiar a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã, com participação de parceiros regionais dos Estados Unidos.

O acordo também contempla a chamada Frente Libanesa, ligada ao grupo Hezbollah. O secretário-geral da organização, Naim Qasem, classificou o entendimento como uma “grande vitória” para o Irã e destacou a inclusão do Líbano nas negociações.

Em declaração conjunta, os países do G7 saudaram o acordo como uma oportunidade histórica para impedir a proliferação nuclear no Oriente Médio e reduzir as tensões regionais. A China também manifestou apoio à implementação do memorando e defendeu a manutenção da estabilidade no Estreito de Ormuz.

Apesar da entrada em vigor do acordo, autoridades dos dois países reconhecem que a etapa mais complexa começa agora. Durante os próximos dois meses, negociadores americanos e iranianos buscarão transformar o memorando provisório em um acordo permanente capaz de encerrar definitivamente as hostilidades e redefinir as relações entre Washington e Teerã.

AMEAÇA

Trump disse ontem que o acordo de paz assinado com o Irã ainda não é definitivo e que pode “voltar a jogar bombas” em Teerã, caso ele “não fique satisfeito” ou se o país iraniano “não se comportar”. A declaração foi dada em entrevista coletiva na cúpula do G7, na França.

“É um memorando de entendimento. E, se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles, ok?”, ameaçou Trump.

Segundo ele, os Estados Unidos poderiam ter mantido a guerra contra o Irã por até dois anos caso não tivesse sido alcançado um acordo entre os dois países.

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