Oriente Médio
Trump cumpre ameaça, e EUA atacam Irã após fim de trégua
Bombardeios são registrados em cidades costeiras no sul do país e elevam tensão
Os Estados Unidos retomaram ontem os ataques contra alvos ligados ao Irã, marcando o fim da trégua estabelecida entre os dois países no mês passado. A nova ofensiva foi autorizada pelo presidente Donald Trump, que, horas antes, declarou encerrado o memorando de entendimento firmado em junho com Teerã para abrir caminho a um cessar-fogo permanente.
Em pronunciamento durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, na Turquia, Trump afirmou que o acordo “acabou” diante da postura adotada pelo governo iraniano. Apesar disso, disse ainda acreditar na possibilidade de novas negociações diplomáticas no futuro.
Pouco antes do início da operação, o presidente norte-americano voltou a elevar o tom contra Teerã. “Vamos atacá-los com força esta noite”, afirmou.
Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom), a ofensiva tem como objetivo reduzir a capacidade militar iraniana de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo. Washington também responsabiliza o Irã pelos recentes ataques contra embarcações comerciais e tripulações civis que transitavam pela região. “O objetivo é degradar ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”, informou o comando militar americano em comunicado.
Horas após o anúncio da nova operação, o sul do Irã voltou a registrar explosões. Segundo as agências iranianas Fars e Mehr, os estrondos foram ouvidos nas cidades costeiras de Bandar Abbas, Sirik, Konarak e Chabahar.
De acordo com a agência Fars, parte das explosões teria ocorrido no mar, próximo à costa de Sirik, enquanto os sistemas de defesa aérea iranianos estariam interceptando “alvos hostis”. Até o momento, as autoridades iranianas não informaram as causas das explosões nem divulgaram balanço de vítimas ou de danos materiais.
A nova escalada ocorre um dia após outra rodada de bombardeios norte-americanos contra instalações iranianas. Segundo o Centcom, a ofensiva anterior foi uma resposta a supostos ataques do Irã contra três navios comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz. Teerã negou qualquer participação nos incidentes e classificou as acusações como “perplexas”.
Na terça-feira (7), grandes explosões, incêndios e colunas de fumaça já haviam sido registrados em Bandar Abbas, Qeshm e Sirik durante os ataques realizados pelos Estados Unidos.
O aumento das hostilidades ocorre também após o governo Trump revogar a licença que permitia a venda de petróleo iraniano, medida adotada durante as negociações de paz, e enquanto o Irã realiza cerimônias fúnebres em homenagem ao ex-líder supremo Ali Khamenei.
Após os bombardeios da véspera, o vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Internacionais do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o país responderá às ações militares. “O Irã tomará medidas decisivas para proteger seus interesses e sua segurança nacional”, declarou.
Com o colapso da trégua e a retomada dos ataques, cresce o risco de uma nova escalada militar entre Washington e Teerã, reacendendo as preocupações sobre a estabilidade do Oriente Médio e a segurança da navegação em uma das regiões mais estratégicas para o mercado global de energia.