Vítimas
Venezuela ainda busca por 30 mil desaparecidos após terremotos
Os fortes terremotos que atingiram a Venezuela e deixaram milhares de mortos e feridos no fim de junho completaram duas semanas ontem, enquanto o país segue enfrentando dias difíceis na busca por desaparecidos em meio aos escombros — e chances quase nulas de localizar sobreviventes.
Ainda não houve uma estimativa oficial do governo sobre o número de pessoas que seguem com paradeiros desconhecidos. O site Desaparecidos Terremoto Venezuela, criado pela sociedade civil, registra ainda mais de 30 mil pessoas desaparecidas.
O balanço oficial mais recente do governo venezuelano aponta que ao menos 3.685 pessoas morreram, enquanto 17.907 pessoas foram afetadas diretamente pelos abalos. Além disso, 86.794 famílias receberam assistência, enquanto 856 edifícios sofreram danos — dos quais 190 desabaram completamente.
Estimativas do governo local indicam que 855 edifícios foram afetados pelos abalos, sendo que 190 deles colapsaram totalmente. O estado de La Guaira, assim como pontos da capital Caracas, foram as áreas mais afetadas. Depois dos primeiros abalos, mais de 1.000 réplicas, de menor intensidade, foram registradas ao longo dos dias seguintes.
Em La Guaira, estado mais afetado pelos tremores, a esperança de encontrar familiares ou amigos vivos tem se esvaído com o passar do tempo. Ao Metrópoles, o jornalista venezuelano Marco David Valverde comentou sobre o dia a dia na região.
Valverde comenta que, no final de semana do terremoto (entre 27 e 28 de junho), ainda havia na população a esperança de encontrar sobreviventes sob os escombros. Ele, contudo, relata que durante a última semana o sentimento deu lugar à raiva pela inação do governo. “Já durante a semana, em relação ao domingo, já começou a haver resignação. E com a resignação, muita raiva. Muita raiva pela inação do Estado”, afirmou Valverde.