Oriente Médio
EUA ameaçam atacar complexo nuclear iraniano
Trump afirma que a ofensiva contra a Montanha Pickaxe ocorrerá “em breve”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que os EUA vão “atingir” a Montanha Pickaxe, no Irã, “em breve”. A instalação subterrânea fortificada está localizada a cerca de 1,6 km ao sul de Natanz, no centro do Irã, e foi declarada à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), órgão ligado à ONU, em 2020, como uma futura instalação destinada à montagem das centrífugas usadas na produção de combustível nuclear.
Questionado se acredita que o Irã tenha transferido centrífugas nucleares para o local, Trump respondeu que “não temos isso registrado”.
“Isso não significa nada a menos que eles tenham o material. Eles não têm, nós monitoramos o material, é aí que está a ação”, disse o presidente.
“Nós provavelmente vamos atingir aquela área em breve. E não há nada que eles possam fazer a respeito. Sabe, normalmente eu não diria isso. Se eu achasse que eles poderiam fazer algo contra isso, eu jamais diria. Mas vamos atingir aquela área muito em breve, e com muita intensidade”, continuou Trump.
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Trump fez um comentário semelhante na semana passada, quando disse ao apresentador conservador de rádio Hugh Hewitt que seu país “provavelmente atacaria a Pickaxe em breve”.
A CNN informou nessa terça-feira, mais cedo, que Israel acredita que o Irã tenha transferido centrífugas avançadas e parte de seu estoque de urânio altamente enriquecido para o local após a guerra de 12 dias em junho, segundo uma fonte israelense familiarizada com o assunto.
REAÇÃO
O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, do Irã, alertou que qualquer ataque dos EUA a instalações nucleares iranianas ou a outros locais sensíveis seria tratado como uma ampliação da guerra na região, segundo um comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB (Islamic Republic of Iran Broadcasting) nessa terça-feira (21).
“Os Estados Unidos criminosos ameaçaram atacar as instalações nucleares do Irã e outros locais sensíveis”, afirmou o comunicado do quartel-general militar, segundo a IRIB.
O quartel-general — principal comando operacional conjunto do Irã, que coordena todos os ramos das forças armadas — declarou que, se os militares dos EUA “avançarem para tal estágio, consideraremos isso uma ampliação da guerra na região”.
Nesse cenário, alertou o comunicado, “todos os interesses dos EUA, bem como os de seus aliados e apoiadores, tornar-se-ão alvos de ataques poderosos das Forças Armadas da República Islâmica do Irã”.
CUSTO DA GUERRA
A guerra com o Irã custou aos Estados Unidos US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 190 bilhões), segundo o secretário de Defesa Pete Hegseth, mas é provável que a conta seja muito mais alta, conforme especialistas haviam dito anteriormente à CNN.
O senador americano Dick Durbin, do Partido Democrata, perguntou ao secretário, durante uma audiência no Congresso dos EUA, se ele prevê um aumento nesse custo agora que o cessar-fogo com o Irã chegou efetivamente ao fim.
Hegseth respondeu que parte dos US$ 37,5 bilhões cobre despesas – como a alimentação das tropas – previstas até o final do ano fiscal.
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Os gastos abrangem operações aéreas e navais, forças terrestres, sistemas de armas e interceptação de mísseis, sendo a fase inicial do conflito a mais custosa.