Sem inspeções
EUA e Arábia Saudita fecham acordo sobre energia nuclear
País árabe poderá enriquecer urânio e construir reatores nucleares utilizando tecnologia norte-americana
Os Estados Unidos (EUA) e a Arábia Saudita chegaram a um acordo sobre energia nuclear civil, permitindo que o reino enriqueça urânio e construa reatores nucleares utilizando tecnologia norte-americana, sem exigir as inspeções sem aviso prévio da Organização das Nações Unidas (ONU) que Washington havia exigido anteriormente do Irã.
Um acordo nuclear civil com a Arábia Saudita vem sendo negociado há anos, tanto durante o primeiro mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, quanto durante o do ex-presidente Joe Biden.
Até agora, no entanto, nada havia sido fechado, em parte devido às advertências de grupos de não proliferação que afirmam que isso poderia abrir caminho para a Arábia Saudita desenvolver uma arma nuclear.
Ao contrário do plano de Biden, o acordo do governo Trump não prevê que a Arábia Saudita assine o chamado Protocolo Adicional, que permite à Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), da ONU, realizar inspeções sem aviso prévio em locais não declarados.
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Há mais de um ano, a Arábia Saudita passou de uma supervisão leve da Aiea — destinada a países com atividades nucleares muito limitadas — para salvaguardas regulares com monitoramento das instalações nucleares declaradas. A medida fazia parte de uma expansão nuclear planejada que, segundo o país afirma há muito tempo, incluirá o enriquecimento de urânio.
O Protocolo Adicional foi concebido para proteger contra atividades nucleares secretas, uma preocupação em relação à Arábia Saudita, já que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman afirmou repetidamente que Riad desenvolverá armas nucleares se seu rival regional, o Irã, o fizer.
O Irã implementou o Protocolo Adicional no âmbito de um acordo nuclear histórico de 2015 com as principais potências, mas esse acordo desmoronou depois que Trump retirou os EUA dele em 2018. O Irã deixou de implementar o Protocolo Adicional em 2023.
O novo acordo com Washington permitiria à Arábia Saudita enriquecer urânio e reprocessar resíduos nucleares, ambos caminhos potenciais para a obtenção de uma arma nuclear. Os Emirados Árabes Unidos concordaram em renunciar a ambas as atividades quando assinaram um acordo semelhante com os EUA em 2009.