Crise humanitária
Espanha reforça fronteira após onda de imigrantes em Ceuta
Mais de 1,5 mil pessoas chegaram ao território nas últimas semanas, muitas a nado
A Espanha anunciou ontem o envio de militares para reforçar a segurança em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, após a chegada em massa de imigrantes vindos principalmente do Marrocos. Segundo as autoridades locais, mais de 1.500 pessoas entraram no território nas últimas duas semanas, muitas delas atravessando a fronteira a nado ou com o auxílio de boias.
O Ministério do Interior informou que as Forças Armadas darão apoio à Guarda Civil no controle da fronteira. Além dos militares, o governo enviará 70 agentes, mergulhadores e embarcações do Serviço Marítimo para reforçar a vigilância.
Imagens divulgadas nas redes sociais e pela imprensa internacional mostram centenas de imigrantes chegando simultaneamente à costa de Ceuta. Muitos comemoraram a entrada em território espanhol, enquanto outros deixaram boias e roupas na praia após a travessia.
O presidente de Ceuta, Juan Vivas, classificou a situação como uma “emergência humanitária e social”. Segundo ele, os centros de acolhimento estão superlotados e sem capacidade para receber novos migrantes. Vivas também afirmou que mais de 60 pessoas morreram no mar nos últimos 12 meses durante tentativas de alcançar o enclave espanhol.
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Diante da crise, o governo local solicitou ao Executivo espanhol o reforço das forças de segurança, o emprego do Exército e o fechamento da fronteira. Vivas alertou que, mantido o atual ritmo de chegadas — cerca de 200 pessoas por dia —, o número de migrantes poderá alcançar 3 mil em apenas dez dias, aproximando-se da crise registrada em maio de 2021, quando mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira em apenas dois dias.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que o governo está mobilizando “todos os recursos necessários” para conter a crise e recuperar a normalidade. Sánchez também confirmou viagem a Ceuta nesta sexta-feira (31), acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
O governo espanhol informou ainda que chegou a um acordo com Marrocos para acelerar a devolução dos migrantes que entraram irregularmente em Ceuta. Apesar da gravidade da situação, Madri descartou decretar estado de emergência nacional, por entender que o fluxo migratório não representa risco ao Sistema Nacional de Proteção Civil.
A crise também provocou tensão diplomática na Europa. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu a suspensão da Espanha do Espaço Schengen em razão da entrada de migrantes, declaração rechaçada pelo governo espanhol. O chanceler José Luis Albares classificou a posição italiana como “demagógica” e anunciou a convocação do embaixador da Itália em Madri para prestar esclarecimentos.
Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia com fronteira terrestre no continente africano e, historicamente, figuram entre as principais portas de entrada de migrantes em direção à Europa. Apesar da pressão sobre Ceuta, a principal rota migratória irregular para a Espanha continua sendo o arquipélago das Ilhas Canárias.