Cúpula da Otan
Após ameaça, Trump teria deixado Turquia em voo secreto
Presidente foi levado em caminhão de alimentos até aeronave militar, diz jornal
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria deixado a Turquia secretamente em um avião da Força Aérea americana após uma ameaça atribuída ao Irã durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em julho. A informação foi divulgada pelo The Washington Post nessa segunda-feira (10).
Segundo o jornal, Trump embarcou inicialmente no Air Force One diante das câmeras, mas, enquanto jornalistas e integrantes da comitiva entravam na aeronave, teria sido transferido discretamente para um C-32A, um avião militar usado no transporte de autoridades americanas.
A operação teria envolvido um caminhão normalmente utilizado para transportar alimentos e suprimentos para o avião presidencial. O veículo deixou o Air Force One e seguiu até o C-32A, onde o compartimento de carga foi elevado até a altura da aeronave. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, Trump foi transferido nesse momento.
O secretário de Guerra, Pete Hegseth, também embarcou no C-32A, usando uma escada externa. A estratégia teria sido adotada para fazer o deslocamento parecer uma operação rotineira. Enquanto isso, o Air Force One, com jornalistas e integrantes da comitiva, decolou em direção ao Reino Unido e chegou ao destino pouco depois da aeronave que transportava Trump.
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A ameaça que teria motivado a operação havia sido revelada anteriormente pelo The New York Times. Segundo o jornal, autoridades americanas receberam informações de que forças ligadas ao Irã poderiam ter como alvos Trump e o avião presidencial. O Serviço Secreto teria considerado a ameaça crível e recomendado a mudança de aeronave.
Jornalistas que acompanhavam Trump na viagem de volta da Turquia ao Reino Unido foram usados involuntariamente como parte da operação para ocultar o paradeiro do presidente americano.
A manobra colocou os próprios jornalistas que acompanhavam o presidente em uma situação inusitada: sem saber que Trump já havia deixado o avião, eles seguiram a bordo de uma aeronave que, aos olhos de observadores externos, parecia transportar o presidente americano. Alguns funcionários da Casa Branca também permaneceram no voo.
O C-32A utilizado na operação é uma versão modificada do Boeing 757 e integra a frota da Força Aérea destinada ao transporte de autoridades. Na viagem, a aeronave teria usado o indicativo “Reach 18”, em vez de um código que identificasse a presença do presidente.
Trump havia participado da cúpula da Otan em Ancara, realizada em 7 e 8 de julho. Na ida, utilizou pela primeira vez em uma viagem internacional o novo avião presidencial, doado pelo Catar. No retorno, a Casa Branca havia anunciado que ele utilizaria o antigo Air Force One, mudança que Trump justificou nas redes sociais como uma escolha “por causa dos velhos tempos”.
Até a publicação da reportagem do Washington Post, a Casa Branca e o Pentágono não haviam se manifestado sobre os detalhes da operação.