GUERRA ECONÔMICA
Estados Unidos miram países que fazem negócios com o Irã
Secretário do Tesouro diz que presidente conversa com países e fala em ‘período de cura’ antes de anunciar sanções
No chamado “Dia D” da guerra econômica contra o Irã, o governo dos Estados Unidos informou que países e entidades que mantêm negócios com o país persa serão alvo de retaliações norte-americanas. A informação foi divulgada nessa segunda-feira (24) pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
Apesar do anúncio, o governo Donald Trump ainda não publicou detalhes de como devem funcionar as punições. O chefe do Tesouro dos EUA apenas afirmou que os “facilitadores” serão expulsos do sistema do dólar norte-americano.
Bessent afirmou apenas que Trump está em contato com uma série de países, que não nomeou, e que haverá resultados concretos a apresentar, mas não deu detalhes. O secretário se recusou a estabelecer um prazo para o teste de lealdade anunciado.
O site do Tesouro divulgou o decreto que sinaliza os principais setores afetados pelas sanções, incluindo os iranianos de aviação, ativos digitais, ouro, transporte marítimo e tecnologia, além da indústria petroquímica. Empresas que fizerem negócios com esses setores também poderão ser alvo das chamadas sanções secundárias.
O anúncio foi feito pelo secretário um mês antes da chegada do líder chinês, Xi Jinping, a Washington, em visita que tem sido preparada há meses, ao menos desde que Trump foi a Pequim, em maio.
A China é uma das principais compradoras de petróleo iraniano, mas instituições financeiras chinesas, que facilitariam o comércio de óleo persa, ainda não foram alvo de sanções.
Perguntado sobre o assunto, Bessent não descartou que isso pudesse ocorrer, embora haja receio na Casa Branca de retaliação a instituições americanas nesse caso. Eventuais sanções a bancos chineses podem também dificultar negociações relativas a tarifas e comércio de setores estratégicos, como o de minerais críticos.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que sanções e táticas de pressão não ajudam e que Pequim faria o que fosse necessário para proteger seus interesses.
O site do Tesouro anunciou novas sanções a 60 pessoas, entidades ou embarcações, com alvos nos Emirados Árabes Unidos, China, Singapura e até uma refinaria na França.