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CONFLITO

Drones russos atingem fábrica da Coca-Cola na Ucrânia

Ataque aconteceu nos arredores da capital, Kiev, nessa quinta e não deixou feridos

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Fábrica da Coca-Cola nos arredores de Kiev, capital da Ucrânia
Fábrica da Coca-Cola nos arredores de Kiev, capital da Ucrânia | Foto: — Divulgação

Drones russos atingiram e danificaram uma fábrica da Coca-Cola nos arredores de Kiev, capital da Ucrânia, nessa quinta-feira (3), segundo o presidente Volodymyr Zelensky.

Autoridades ucranianas disseram que ninguém ficou ferido no ataque, ocorrido perto da cidade de Brovary, a leste da capital.

“Hoje [ontem], os russos atingiram uma fábrica da Coca-Cola com um drone. A Coca-Cola é um inimigo tão grande que eles decidiram incendiá-la com seus Shaheds", afirmou Zelensky em um pronunciamento em vídeo, em referência aos drones de fabricação iraniana usados pela Rússia.

"É um claro sinal russo aos Estados Unidos. Os russos não podem alegar que não sabiam que se tratava de uma instalação americana", acrescentou.

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Imagens da Reuters mostraram equipes de bombeiros chegando ao local e uma coluna de fumaça sobre a fábrica e os campos próximos.

Andy Hunder, presidente da Câmara Americana de Comércio na Ucrânia, afirmou que nenhum funcionário da unidade ficou ferido.

"A empresa está trabalhando com as autoridades responsáveis para avaliar a situação", disse Hunder à Reuters. "Garantir a segurança e o bem-estar das pessoas continua sendo a principal prioridade."

AVANÇO

Há meses, os serviços de inteligência europeus vinham repetindo, quase em coro, que a Rússia testava as fronteiras do continente com sabotagens, drones e ciberataques. Era uma hipótese amplamente compartilhada, mas uma hipótese.

Na terça-feira (1º), o governo alemão tirou o assunto desse terreno: acusou nominalmente Moscou de ter enviado um drone carregado de explosivos contra um avião cargueiro ucraniano no aeroporto de Leipzig, na madrugada de 4 para 5 de agosto, sem que o explosivo chegasse a detonar.

A reação em Berlim e nas demais capitais, mesmo entre quem já esperava a confirmação, foi de choque. Uma coisa é temer algo em abstrato. Outra é vê-lo, de repente, com nome, data e responsável apontados por um governo do G7.

O caso alemão é o capítulo mais recente de uma escalada que os números já vinham desenhando havia meses. Um levantamento do International Centre for Counter-Terrorism (ICCT), em parceria com o think tank eslovaco Globsec, contabilizou 151 casos de sabotagem, incêndios criminosos e outras ações atribuídas à Rússia na Europa entre fevereiro de 2022 e fevereiro deste ano. Quase metade aconteceu só no primeiro semestre de 2024. A Polônia lidera a lista, com 31 casos, seguida por França, Lituânia, Alemanha, Reino Unido e Estônia.

Drones à parte, o britânico International Institute for Strategic Studies soma 144 incidentes desse tipo específico na Europa nos últimos dois anos, todos ligados a Moscou.

Este espaço já registrou, em julho, o mesmo alerta proveniente de Vilnius e Varsóvia. A diferença agora é que ele veio de Berlim, sobre solo alemão, da boca do próprio governo federal.

É essa mudança de endereço que consolida, nas capitais europeias, um temor específico: não o de um confronto direto com a Otan, considerado improvável no curto prazo, mas o de uma escalada por essa porta lateral, feita de provocações pequenas o bastante para ficarem impunes, até que uma delas force uma resposta que ninguém planejou dar. Para o analista Maksym Beznosiuk, do Carnegie Endowment, essa lógica só deve se aprofundar.

O desgaste econômico e militar da Rússia no quarto ano de guerra, escreveu ele em julho, não torna o Kremlin mais cauteloso: "essas pressões devem aprofundar a dependência de Moscou de uma guerra híbrida de baixo custo", sobretudo ao longo do flanco leste da Otan.

A pergunta prática é o que a Europa consegue fazer a respeito. A resposta mais lúcida da semana vem de um relatório do think tank European Council on Foreign Relations, assinado pela pesquisadora Ulrike Franke, do escritório parisiense da instituição. Ela expõe uma aritmética desconfortável: um drone como o usado em Leipzig custa, em média, dez mil euros; derrubá-lo com um caça e um míssil guiado pode custar até um milhão.

Na incursão de cerca de 20 drones que levou a Polônia a invocar o Artigo 4 da Otan em setembro do ano passado, a Rússia gastou menos de 250 mil euros. A resposta ocidental, entre voos de caça e mísseis disparados, consumiu milhões.

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