Diplomacia
Lula usará discurso na ONU para defender soberania e eleições
Presidente deve fazer referência às tensões com os Estados Unidos sem citar diretamente o governo Trump
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta terça-feira (22), em Nova York, o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em uma passagem de 48 horas pelos Estados Unidos que terá como um dos principais temas a defesa da soberania brasileira e a rejeição a eventuais interferências externas nas eleições de outubro. Segundo auxiliares, o recado será dado de forma polida, mas firme, sem menções diretas a países ou autoridades.
A fala ocorrerá antes do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio às tensões entre os dois governos e à preocupação do Palácio do Planalto com manifestações de integrantes da administração norte-americana sobre o processo eleitoral brasileiro. Trump recebeu recentemente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial, enquanto integrantes do governo americano já fizeram declarações sobre o Brasil.
Apesar do foco internacional, Lula também deverá abordar a defesa das instituições democráticas, o princípio da não intervenção e a autonomia política do Brasil. O Presidente afirmou que pretende tratar do assunto com Trump, embora o governo brasileiro mantenha a avaliação de que uma interferência direta nas eleições não deverá ocorrer. Em encontro nessa segunda-feira (21), o senador americano Bernie Sanders também questionou Lula sobre o risco de interferência externa.
A agenda de Lula em Nova York incluiu ainda reuniões com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Com Mamdani, o Presidente discutiu principalmente o custo de vida e políticas sociais. Os dois também trataram de democracia e desinformação.
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O encontro com Sanders teve ainda como temas o avanço das guerras, o papel da ONU na promoção da paz, a concentração de riqueza, o crescimento do extremismo de direita e os impactos da inteligência artificial. A passagem de Lula pelos Estados Unidos ocorre em meio às negociações comerciais entre Brasília e Washington. Nessa segunda-feira, o presidente afirmou que o Brasil manterá o diálogo com os EUA antes de adotar eventuais medidas de reciprocidade contra tarifas norte-americanas.