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GUERRA

Rússia faz mega-ataque com mísseis e mata 28 na Ucrânia

Ação mais mortífera ocorreu em Priluki, cidade no norte do país, a 150 km de Kiev

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Socorristas carregam corpo retirado do prédio atingido por míssil
Socorristas carregam corpo retirado do prédio atingido por míssil | Foto: — Divulgação

A Rússia promoveu um dos mais intensos ataques com mísseis em sua guerra contra a Ucrânia na madrugada dessa quarta-feira (7), matando ao menos 28 pessoas e agravando a crise energética do país, invadido em 2022.

A ação mais mortífera ocorreu em Priluki, cidade no norte do país, a cerca de 150 km a leste de Kiev. Lá, um míssil atingiu em cheio um prédio residencial, matando ao menos 20 pessoas — incluindo 5 crianças — e ferindo outras 55.

Segundo o presidente Volodimir Zelenski, foram lançados 70 mísseis, a maioria balísticos, de mais difícil interceptação. "Um dos alvos principais foi nossa infraestrutura energética", escreveu no Telegram, relatando outras oito mortes em Kiev e em outras regiões.

Zelenski disse que houve uma taxa de interceptação maior dos 46 drones a jato que participaram do ataque para saturar as defesas antiaéreas, passando de 50% para 80% o índice de abates em relação às ações das últimas semanas.

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Ele não detalhou o motivo. Recentemente, a Ucrânia fechou um acordo com Polônia, Bélgica e Espanha para o fornecimento de mais munição de 20 mm para seus caças F-16, mais capazes de interceptar os drones a jato.

O governo em Kiev segue sem mísseis de interceptação em número suficiente para seus sistemas Patriot a fim de conter o assalto russo.

A Força Aérea estima serem necessários pelo menos mais 300 mísseis para as baterias protegerem a capital durante a temida campanha de inverno, que começa no fim de dezembro no hemisfério Norte.

Este é o ano mais violento da guerra para civis desde o começo do conflito. De 1º a 24 de setembro, segundo o monitor americano Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, no acrônimo em inglês), 15 pessoas morreram por dia, 80% delas na Ucrânia.

Os ataques continuaram pela manhã, com apagões registrados em diversas regiões ucranianas, e telas antidrone foram instaladas em pontes de Kiev, novo alvo dos russos. Já estavam previstos cortes preventivos de energia nesta quarta, inclusive na capital, mas a situação agora tornou-se emergencial.

Segundo monitores de inteligência militar, há a suspeita de que a Rússia atacará a seguir usinas termelétricas e ao menos uma hidrelétrica. "Este é o presente de aniversário dos generais russos para Vladimir Putin", disse Zelenski.

O presidente russo, que está no poder desde 9 de agosto de 1999, completou 74 anos nesta quarta. Zelenski buscou também enviar seu presente, na forma de uma explosão no mar à frente de uma das cidades preferidas de Putin, o balneário de Sochi, no mar Negro.

Um drone aquático atingiu uma embarcação russa na noite de terça-feira (6), provocando um incêndio no mar visível a quilômetros de distância, com uma nuvem negra colossal. O mar Negro tem assistido a uma escalada de ataques, com um navio afundado e outros incendiados nesta semana.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país domina a margem sul do mar, ligou nesta quarta para Putin e pediu que a livre navegação na região seja garantida.

Os ucranianos seguem com sua campanha de ataques assimétricos com drones de longa distância e os poucos mísseis de cruzeiro de que dispõem.

Na semana passada, Kiev usou pela primeira vez um modelo balístico, e Zelenski diz que está desenvolvendo uma variante com alcance para chegar a Moscou.

Enquanto isso, o impacto desses ataques, que geraram um desabastecimento crônico de combustível na Rússia, parece ter arrefecido um pouco em termos de opinião pública.

Segundo pesquisa divulgada nesta terça pelo centro independente Levada, a tendência de queda no apoio à guerra foi interrompida.
Em julho, ela havia chegado ao menor nível no conflito — ainda com expressivos 66% —, mas voltou a 70% em setembro.

Ainda assim, a maioria dos russos prefere negociações à continuidade do conflito.
Na frente da disputa maior entre Rússia e Otan, a aliança militar ocidental que apoia Kiev, o Kremlin criticou nesta quarta o teste de míssil nuclear feito na véspera pela França, com a presença do presidente Emmanuel Macron em alto-mar.

Macron disse que a ação era uma "mensagem alta e clara", após Moscou dizer que empregaria armas nucleares caso a Otan cumprisse a ameaça feita pela Polônia de pressionar militarmente o exclave russo de Kaliningrado.

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