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GUERRA

Escalada de ataques russos deixa 63 mortos na Ucrânia

Moscou intensificou o uso de drones a jato e bombas guiadas contra o País

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Foto divulgada pelo Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia
Foto divulgada pelo Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia | Foto: — Divulgação

Sob redes rasgadas instaladas para proteger civis de drones russos, perto de prédios residenciais reduzidos a escombros, o esqueleto de metal carbonizado de um ônibus era o que restava nessa quinta-feira (8) após mais uma ofensiva em Kramatorsk, no leste ucraniano. Pelo menos 30 pessoas morreram no local, segundo autoridades locais, somando-se às mais recentes baixas civis da campanha de Moscou para tornar as cidades do país inabitáveis.

Enquanto equipes de resgate atendiam os feridos e recolhiam despojos espalhados pelas ruas de Kramatorsk, o presidente Volodymyr Zelensky deslocou-se para Pryluky, cidade situada a cerca de 320 quilômetros de qualquer zona de combate e que também sofreu bombardeios. Ali, diante de um edifício residencial destruído na véspera por um míssil russo — ataque que vitimou 22 pessoas, incluindo cinco crianças —, o mandatário cobrou uma resposta mais firme da comunidade internacional.

Em Pryluky, Zelensky advertiu que a Rússia busca ampliar sua superioridade aérea e intensificar o terror. O líder ucraniano também afirmou que a China estaria desenvolvendo tecnologia para rivalizar com a rede de satélites Starlink com planos de compartilhá-la com Moscou, e reiterou o pedido para que os Estados Unidos autorizem o uso da Starlink em ataques contra bases de lançamento de mísseis e drones em território russo. Para ele, a inação internacional tem como preço cenas de luto como as presenciadas por ele junto a equipes de salvamento e famílias enlutadas.

Embora os bombardeios a áreas residenciais sejam constantes desde o início do conflito, o índice de letalidade tem crescido. Moscou tem recorrido a um arsenal ampliado de armas de precisão, sobrecarregando as defesas aéreas ucranianas por meio de ofensivas diárias ininterruptas.

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Entre as inovações tecnológicas empregadas pelo Kremlin estão drones movidos a jato de longo alcance e bombas guiadas de grande potência, acopladas a novos sistemas de comunicação que permitem a pilotagem remota de munições a centenas de quilômetros de distância.

Dados da Força Aérea ucraniana apontam um salto expressivo no uso desses equipamentos: a Rússia lançou cerca de 3.500 drones a jato contra alvos em todo o país em setembro, em comparação com 350 em junho. A indústria de defesa ucraniana tenta desenvolver interceptadores capazes de neutralizar esses artefatos, que operam em alta velocidade.

Na manhã dessa quinta-feira, um desses dispositivos atingiu uma loja no centro de Kiev, deixando três mortos e 14 feridos, conforme balanço das autoridades municipais. A ocorrência sucedeu um bombardeio em grande escala na quarta-feira que vitimou ao menos 30 pessoas em âmbito nacional, sendo seis na capital.

Zelensky destacou que a ofensiva — que incluiu o ataque com míssil de cruzeiro contra o complexo residencial em Pryluky — coincidiu com a data em que o presidente russo, Vladimir Putin, completou 74 anos. "Este é o tipo de 'presente' que Putin deu a si mesmo no aniversário: o assassinato de crianças, o assassinato de pessoas", declarou o presidente ucraniano na ocasião.

Enquanto mísseis e drones representam uma ameaça generalizada, centros urbanos na linha de frente como Kramatorsk sofrem desgaste contínuo por artilharia e bombas guiadas de alto potencial explosivo. Em agosto, os militares ucranianos registraram o lançamento recorde de 8.700 bombas guiadas russas contra alvos militares e civis. A defesa contra esses armamentos, que podem ser lançados a mais de 160 quilômetros do alvo, exige a interceptação das aeronaves transportadoras ou a destruição de seus depósitos de suprimento.

O epicentro operacional permanece na região de Donetsk, onde se concentra a maior incidência de ataques com bombas planadoras. O governo ucraniano ainda mantém o controle sobre cerca de 20% do território na província, incluindo um cinturão fortificado que abrange Kramatorsk e Sloviansk. Estima-se que 93 mil civis permaneçam nas zonas sob controle de Kiev em Donetsk, incluindo mais de 4.200 menores de idade.

"Os russos estão deliberadamente atacando civis", afirmou Vadym Filashkin, chefe da administração militar regional de Donetsk, em comunicado emitido após o atentado ao ônibus. "Para eles, um veículo de transporte de passageiros é um alvo atraente justamente porque um único impacto maximiza o número de baixas."

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