Internacional
Governo recolhe 50 mil corpos
O ministro do Interior haitiano disse ontem que 50 mil corpos já foram recolhidos das ruas de Porto Príncipe e que o governo espera que o número de mortos fique entre 100 mil e 200 mil. ?[Mas] o número exato nunca iremos saber?, afirmou Paul Antoine Bien-Aime. As estimativas haitianas, no entanto, ainda não foram unificadas nem mesmo dentro do governo. Horas antes do anúncio de Bien-Aime, o secretário de Segurança Pública, Aramick Louis, havia falado em até 140 mil mortos, sendo que 40 mil deles teriam sido enterrados. O premiê haitiano, Jean-Max Bellerive, porém, estima em só 15 mil os enterrados. Na véspera, o presidente René Préval os havia estimado em até 7.000. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço para as Américas da Organização Mundial da Saúde (OMS), ligada à ONU ? estimou os mortos entre 50 mil e 100 mil pessoas. Anteontem, a Cruz Vermelha havia feito, a partir de observações de campo, uma estimativa de entre 45 mil e 50 mil mortos. ### Brasil critica controle de voos pelos EUA | JOHANNA NUBLAT - Folhapress O governo brasileiro reagiu ontem ao que considerou uma interferência indevida dos Estados Unidos sobre sua posição de comando nas operações de segurança e resgate no Haiti. O Brasil não gostou de ver o controle do aeroporto de Porto Príncipe passar ontem, em questão de horas, para as mãos dos norte-americanos. O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) viu ?descoordenação? no episódio e expôs sua insatisfação à secretária de Estado americana, Hillary Clinton. ?Até certo ponto, isso pode ser visto como algo natural, porque evidentemente há muitos voos de muitos países querendo chegar, mas é importante ter clareza de que estamos sendo tratados com a prioridade adequada?, disse o chanceler brasileiro. Segundo Amorim, Hillary assegurou que os norte-americanos estão no aeroporto apenas em caráter humanitário. ### Emoção na chegada dos militares | DONIZETI COSTA - Folhapress Foi cercado de forte emoção o desembarque, ontem à tarde, na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, de 16 dos 25 militares brasileiros feridos no terremoto do Haiti. Os militares foram abraçados e beijados por familiares e muitos não seguraram as lágrimas. Dois desceram da aeronave em macas; dois, em cadeira de rodas e os outros 12, com ferimentos mais leves, caminharam ao encontro dos parentes que os aguardavam no saguão. O tenente-coronel Alexandre José dos Santos e o cabo Daniel Coelho da Silva, que vieram em macas, foram de ambulância para o Hospital de Área Militar do Cambuci, onde os 16 ficarão em quarentena. ?Serão feitos exames de laboratório para verificar se foram infectados por alguma doença infectocontagiosa durante a missão?, explicou o general Eduardo Segundo Liberali Wizniewsky, comandante da 2ª Região Militar, acrescentando que todos passarão por exames psicológicos. ### Brasileiros: 17 mortos no Haiti | FOLHAPRESS Brasília, DF ? O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou na madrugada de ontem, ao desembarcar em Brasília, vindo do Haiti, que 17 brasileiros morreram no terremoto de 7 graus que devastou a capital do país na terça-feira. Jobim afirmou que há 14 militares e três civis brasileiros mortos. Os militares já haviam sido confirmados pelo Comando do Exército na manhã de anteontem. Jobim disse ainda que os quatro militares tidos como desaparecidos devem estar mortos ? informação que não é confirmada pelo Comando do Exército. ?Evidente que nesse momento, a palavra desaparecido funciona como um eufemismo?, declarou. ### Dez militares de Alagoas embarcarão rumo ao Haiti | FÁTIMA ALMEIDA - Repórter Um grupo de militares do Corpo de Bombeiros de Alagoas deve se integrar, até a próxima semana, à missão humanitária do Brasil para ajudar o povo do Haiti, país que foi devastado por um terremoto que matou mais de 100 mil pessoas. Eles vão ajudar nas operações de resgate, busca de cadáveres e assistência aos sobreviventes. Em entrevista coletiva, ontem pela manhã, o tenente-coronel Denildson Cruz explicou que ninguém é obrigado a ir, mas muitos já demonstraram interesse. ?Se fosse abrir inscrição, iria aparecer mais de 100?, diz ele. Para a seleção final dos nomes que deverão integrar a missão, estão sendo considerados, além da preparação técnica, que envolve a especialização em salvamento em estruturas colapsadas, outros critérios, como o voluntariado e a condição psico-emocional dos militares. ### Zilda Arns é velada como mártir | ANA FLOR - Folhapress Curitiba, PR ? Em meio à emoção da despedida, visitantes, familiares e autoridades elevaram a fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, à condição de mártir. A médica morreu na terça-feira, no terremoto que atingiu o Haiti. Seu corpo chegou ontem a Curitiba (PR), cidade em que ela cresceu e onde fica a sede nacional da Pastoral. ?A gente sentia Deus quando ela estava por perto?, disse o voluntário da Pastoral Antonio Machado, 71, morador de Lapa, na região metropolitana de Curitiba. ?Ela vai ficar olhando por nós lá de cima?. Até as 18h, cerca de 2.000 pessoas haviam comparecido ao velório, segundo Polícia Militar. Como peregrinos, muitos vinham de outros estados e até de países vizinhos para prestar a última homenagem. A expectativa é que cerca de cem ônibus de líderes e voluntários da instituição cheguem hoje, quando Zilda será sepultada. ### Religiosa conta como médica morreu no Haiti | FÁBIO ZANINI - Folhapress Curitiba, PR ? Foi por poucos minutos que Zilda Arns não escapou da morte no terremoto do Haiti. Faltavam apenas alguns metros para a médica sanitarista e fundadora da Pastoral da Criança deixar a igreja em que havia acabado de dar uma palestra e ganhar as ruas de Porto Príncipe. O relato é da religiosa Rosângela Maria Altoé, 56, que trabalhava com Zilda e estava com ela na hora do acidente. A médica havia acabado de falar para cerca de 150 pessoas, a maioria padres, e conversava com um deles quando o chão tremeu, ouviu-se um estrondo e parte do teto cedeu. Eles estavam no terceiro e último andar do local em que funcionava um centro de formação da igreja. Além de Zilda, 16 sacerdotes que estavam no prédio morreram. ?É uma cena que eu nunca vou esquecer?, disse Rosângela, que escapou com apenas um ferimento na mão esquerda e hematomas nas pernas. ///