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ATAQUE

Hackers roubam US$ 6,3 bilhões de corretora de criptomoedas

Maior ataque da história do setor gera desconfiança sobre segurança de ativos

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Binance US$ 162,8 bilhões (R$ 879 bilhões) em ativos até 2025
Binance US$ 162,8 bilhões (R$ 879 bilhões) em ativos até 2025 | Foto: — Divulgação

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu na quinta-feira (29) o maior ataque cibernético da história do setor, com o desvio de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) em ativos digitais em uma operação de apenas 20 minutos.

O roubo provocou forte volatilidade no mercado e levou a empresa a suspender temporariamente os saques, embora a direção garanta a proteção dos fundos dos usuários e prometa cobrir todas as perdas.

A ação criminosa ocorreu por volta das 17h (horário de Brasília) e afetou diretamente o sentimento dos investidores. Fundada em 2017 em Xangai, na China, a plataforma contava com 335 milhões de usuários cadastrados e custodiava cerca de US$ 162,8 bilhões (R$ 879 bilhões) em ativos até o final do ano passado.

O ataque expôs fragilidades na infraestrutura de segurança do mercado de ativos digitais, reacendendo alertas globais sobre a custódia descentralizada.

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As investigações preliminares apontam que os invasores comprometeram o sistema de autorização de transferências da corretora. Inicialmente, a Binance suspeitou que a porta de entrada tivesse sido o computador de um de seus engenheiros, mas apurações posteriores revelaram a exploração concomitante de outras vulnerabilidades do sistema.

Após o desvio dos fundos, os criminosos iniciaram uma série de movimentações pulverizadas com o objetivo de despistar os mecanismos de rastreamento e dificultar eventuais congelamentos.

Segundo análises das empresas de rastreamento de blockchain TRM Labs e Chainalysis, o modo de operação e as técnicas utilizadas guardam semelhanças diretas com ataques atribuídos a grupos de hackers financiados pelo governo da Coreia do Norte.

O padrão assemelha-se à invasão sofrida pela corretora Bybit em 2025, atribuída pelo FBI a agentes norte-coreanos. A direção da Binance, no entanto, mantém cautela e afirma que suas apurações internas ainda não identificaram formalmente a autoria do crime.

Até o momento, cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) foram localizados, com parte expressiva bloqueada por emissoras de stablecoins.

A Tether congelou quase US$ 1,57 bilhão (R$ 8,5 bilhões), a Circle reteve mais de US$ 800 milhões (R$ 4,3 bilhões) e a Ripple conteve aproximadamente US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão).

A World Liberty Financial, empresa do setor ligada à família do presidente americano Donald Trump, também colaborou no bloqueio de ativos. Por outro lado, cerca de US$ 2,4 bilhões (R$ 13 bilhões) mantidos em Bitcoin e Ether seguem fora do alcance imediato de contenção por não possuírem emissores centrais.

A Binance informou que está trabalhando em cooperação com agências internacionais de aplicação da lei, incluindo o FBI e o Serviço Secreto dos Estados Unidos, com a expectativa de retomar os saques regulares em até 45 horas.

Para resguardar os clientes, a empresa planeja utilizar recursos próprios e acionar o Secure Asset Fund for Users (SAFU), fundo de emergência que detém cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) em Bitcoin, valor que, contudo, cobre apenas uma fração do prejuízo total provocado pela invasão.

O desfecho do incidente repercutiu de forma imediata nos mercados financeiros globais nessa sexta-feira (30). O Bitcoin recuou mais de 5%, cotado a US$ 77.212,60 (R$ 416,9 mil), atingindo o menor patamar em seis semanas, enquanto o Ether registrou queda semelhante, negociado a US$ 2.245,39 (R$ 12,1 mil).

O token nativo da plataforma, o BNB, recuou 6%, para US$ 700,80 (R$ 3,8 mil). O impacto alcançou ainda as bolsas americanas, pressionando papéis de empresas expostas ao setor, como a Coinbase — que caiu 4,8% — e a MicroStrategy, cujas ações fecharam em queda de quase 6% no mercado estendido.

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