James Silver
Confira os destaques do colunista nesta edição, 15/10/2021
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NA VERA
Arrepiado, esse redator sentou na fila A, por esses dias, para assistir ao Renda-se – I Mostra de Moda Alagoana, etapa 2021 – uma imersão poética no universo criativo de Vera Arruda, estilista alagoana, falecida em 2004, no auge da carreira, que resgatou uma brasilidade maximalista nos 90’s.
Passadas as emoções prévias, a gente encara a tela e o teclado do PC para tentar sintetizar o fashion show. Neste especial a gente elege os highlights e destaca o melhor do desfile.
ARRUDA E SAL GROSSO
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Divididas em cinco temas - Festa Brasilis, Espelho d’água, Sarau, Tropicália e Novo Anormal - as coleções abusaram, de forma lúdica, de chitas, bordados, miçangas e crochê para revisitar a obra de Vera. O destaque ficou por conta do uso do filé alagoano - numa parceria com as rendeiras do Inbordal. Já que o objetivo do projeto é a perpetuação da manualidade do conhecimento das técnicas dessa matéria-prima, patrimônio imaterial de Alagoas, que pontuou todos os 50 looks levados à passarela - 52 se contados os dois figurinos originais desfilados pela filha de Vera, MARIA JOÃO ARRUDA (foto), que abriu e encerrou o evento.
REVERENCIADA
O evento, idealizado pela produtora cultural Mirna Porto - com participação pra lá de especial da ETA, representada por David Farias e Poly Isbelo - foi gravado entre ruas e armazéns históricos com a presença de uma seleta plateia, que incluiu o viúvo João Luiz Araújo, mãe e irmãos de Vera - além de Fábio Elias, responsável pela área de patrocínios do Magazine Luiza (que financiou o projeto por meio da Lei de Incentivo à Cultura).
CROQUIS
Batizada de Vera Cruz, uma das micro coleções de maior destaque teve direção criativa e tingimento natural por DERRAVERA, modelagem e confecção por Alda Gomes e Ednaide Maria.
Um detalhe à parte foram os máxi acessórios desenvolvidos em saboaria artesanal por Caroline Doro, com design assinado pela artesã Júlia Ferreira Caroá.
HOURS CONCOURS
Rejane Pimentel, a mais veterana entre os estilistas apostou no uso da Chita - usando o avesso do tecido garantindo um aspecto estonado - arrematada por filé para reverenciar Vera. E foi no morim feito de algodão e estampado com desenho florais e cores alegres que enxergou a oportunidade de trabalhar o regionalismo de uma forma diferente e inovadora. Ao unir as técnicas artesanais como o bordado, a renda filé e a estocagem - processo de tingimento artesanal - ela agrega valor ao modelo, tanto em cores, texturas e formas, ganhando babados e caimento leve, perfeito para o clima do Brasil - como no look com o qual NANÁ MARTINS (foto) desfilou.
ABRE ASPAS
“Cultura, tradição e DNA nordestino regados à delicadeza e ao tropicalismo da mulher brasileira que, assim como a chita, possui cores e significados próprios e marcantes. Notei na relação que o tecido tem com as pessoas, motivações para evidenciar ainda mais suas utilidades e importância dentro da moda”. REJANE PIMENTEL, estilista
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