José Elias
Confira os destaques da política alagoana #JE29052021
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NOVATOS QUEREM SER LOGO GOVERNADOR OU SENADOR
Muitos entram pela janela e desfilam como “autoridades”, outros desembarcam tomando carona no carro alheio. Passado recente, alguns chegavam com história, como Guilherme Palmeira e Fernando Collor, respaldo no retrovisor. Poucos produziam a biografia no suor, a exemplo de Divaldo Suruagy, que começou na vida como simples funcionário público. Hoje em dia, o cara chega, novato no ramo, querendo ser governador ou senador, furando a fila. Renato Filho é um misto dos dois exemplos e começou sentindo cheiro do povo, abraçado pela multidão. Prefeito do Pilar constrói a carreira abrindo estrada, medindo o tamanho das ruas e consultando a opinião da experiência, pedindo conselhos para governar. Tem escola e vem de longe, tempos em que a ditadura militar batia, arrebentava e fechava o Congresso Nacional. Seu avô, empresário bem sucedido Rubens Canuto, comandava a bancada de oposição na Assembleia Legislativo. Pela voz do povo, pai da deputada Fátima Canuto teria sido governador de Alagoas, mas foi impedido pela força do regime autoritário.
GOVERNADOR “TAMPÃO” À MESA DO PALÁCIO E DA ASSEMBLEIA
Parto difícil, clássico imprevisível, jogo fora do placar cercam o caso misterioso para escolha do governador “tampão”. Reuniões reservadas não passam nem de longe para um consenso, embora tenha desfilado à mesa alguns nomes. Opiniões diferentes interna e externamente, os entendimentos não chegam sequer a bater na trave para assustar a torcida. Denominador comum distante, cúpula diverge justamente quando entra em cena quem será o escolhido. O indicado é aprovado pelos deputados, sempre tradicionalmente em parceria com o executivo. Passado recente, vice também era nomeado pelo parlamento ou o cargo ficaria com o presidente do legislativo. Por enquanto, a questão passa pelo crivo de Renan Filho, Arthur Lira e Marcelo Victor, os mais interessados no processo. Cada um tem um modelo, exibe suas justificativas e, mesmo seguros, não convencem nenhum dos três. A fumaça somente sairá no fim do ano – novembro ou dezembro – para o sorteado ser aprovado em plenário pela maioria dos votos.
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SALVAR VIDAS, FOME, EMPREGO E MISÉRIA SÃO AS PRIORIDADES
Fuxicos ficam para depois porque agora, nesse momento, já, a agenda da classe política está equivocada. Discutir sexo dos anjos é nadar contra maré, ficar conscientemente no meio da estrada, sabendo que será atropelado. Falar à “multidão” com discursos inflamados, certo de que está num deserto, dentro de imensa mata fechada, onde só mora uma pessoa. A prioridade das prioridades é salvar vidas, evitando contaminação pelo vírus, assassino em série da humanidade. Muitas famílias estão abandonadas, irresponsabilidade de algumas “autoridades”, por falta de logística na vacinação, único remédio de combate a doenças. E o povo sofrido fica ao sabor das águas, sem emprego, comida, mergulhado na miséria. Se os representantes das ruas ocupassem o tempo fazendo o que realizam nas campanhas, a realidade seria outra. Ao lado das dificuldades, pelo menos a maioria enfrentaria, com solidariedade, a tristeza estampada na testa de todos. Será que eles estarão aqui para assistir, ao vivo, o desfecho de uma história que inverte os papeis dos personagens?