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Nº 5692
José Elias

Confira os destaques da política alagoana #JE23062021

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Por JOSÉ ELIAS | Edição do dia 23/06/2021 - Matéria atualizada em 23/06/2021 às 04h00

FESTA DE SÃO JOÃO NO ARRAIAL DOS PADRINHOS DO VOTO 2022

Véspera de São João, cada um escolhe seu par na grande apresentação que decidirá o futuro de Alagoas. Ensaio da quadrilha que, no salão, mostrará as caras dos dançarinos da festa do meio do ano. Segurando na mão um do outro, vai começar a chamada dos pastores, em cima do ringue onde só se exibem gente grande, na briga de encarnado e azul. A sucessão estadual dar o pontapé inicial, botando os padrinhos na passarela, por onde passam os matutos fantasiados. Calça remendada com retalhos, camisa a cores, candidatos chegam aos bastidores comendo milho e pamonha. Vai-se saber quem emplaca, tem folego para atravessa as articulações e reaparecer nas composições, reta final dos acordos. Na tela, manifestações apontam a preferência das lideranças envolvidas no voto de governador. Por exemplo, Arthur Lira mostra simpatia pelo nome de Jó Pereira e JHC parece ter compromisso com Rodrigo Cunha. Renan Filho estaria na dúvida entre Rafael Brito, Alexandre Ayres e Isnaldo Bulhões, enquanto Marcelo Victor entra na aposta com Davi Davino.


VOTO MOSTRA A HISTÓRIA DE VITÓRIAS E FRACASSOS

A história política revela reviravoltas daqueles que sobem de repente e descem rapidamente, em um sopro. Alguns vêm lá de baixo, aparecem como um foguete e, no meio do caminho, desaparecem da cena do voto. Com cara de riqueza, outros conquistam um mandato, não possuem capacidade de administrar a preferência das ruas e somem na reeleição. Cobrador de ônibus, servente de pedreiro, motorista de taxi, Cícero Almeida fez essa viagem cheia de curvas. Fenômeno na votação de vereador de Maceió, emplacou bem na Assembleia Legislativa e voou ligeiro para prefeito da cidade. Pensou ter amigos, contando as pessoas que o cercavam, terminou sozinho. É aí onde se enganam autoridades prepotentes. Mas existem exceções fugindo do calendário que anota subida e queda dos humildes, traídos por exagerar na concessão da confiança. Almeida pode reaparecer a qualquer momento, vestir roupa de candidato e pintar a zebra. Tem obras para exibir fazendo uma retrospectiva do que realizou como parlamentar e executivo na construção de viadutos, asfaltos e escolas.


CLÁSSICOS TROCAM TIROS E DEPOIS FICAM ABRAÇADOS

Redação da Gazeta no Tabuleiro dos Martins, todos os dias recebia telefonemas de Brasília. Os tiros disparados lá, chegavam rápidos aqui, ainda com cheiro de pólvora, fresquinhos como tivessem sido disparados naquele momento. Plenário da Câmara era o ringue que assustava, em alguns instantes, os deputados que soltavam seus venenos no ar. Editor de política, ficava muito tempo com o aparelho no ouvido, escutando queixas de Divaldo Suruagy e Mendonça Neto. ”Ele vai ligar dizendo que ganhou os ataques!” - queriam evitar que um concedesse a informação primeiro para não distorcer o debate. Inimigos ferrenhos, daqueles que não se olham, os dois não aceitavam propostas de reconciliação. Suruagy governador conheceu Mendonça como jornalista, dono de um semanário em Maceió. Mendonça deputado estadual se transformou numa pedra no caminho dele e, todo dia, na Assembleia Legislativa, jogava pedras no Palácio. Morreram apertando mãos, se abraçando, jogando conversa fora, como se nada tivesse acontecido na política.

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