Maré
DE QUEM É ESSE LIXO?
Ensaio com a atriz Patrícia Mess faz uma divertida provocação sobre um assunto muito sério: o volume e o destino do lixo produzido durante a pandemia
Em casa por vários meses, a atriz e apresentadora Patrícia Mess resolveu fazer algo inusitado: guardar todo o lixo reciclável que produziu no período de isolamento social. Ela protagoniza um ensaio fotográfico exclusivo, produzido pela revista Maré, e fala sobre o aumento na produção de lixo doméstico durante a pandemia do novo coronavírus. Com ou sem pandemia, o lixo assombra a sociedade há anos. O problema ambiental é real e grave, já que o lixo que produzimos - que não é pouco - contribui na liberação de gases que promovem o efeito estufa e pode poluir águas subterrâneas, superficiais, além de tantas vezes acabar no mar. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), as medidas de distanciamento social e o trabalho em casa geraram no país um aumento de 15% a 25% na quantidade de resíduos residenciais. A ideia de guardar o lixo doméstico veio de um hábito da atriz, que há anos realiza a separação de resíduos recicláveis para entregar à cooperativas. No início das medidas restritivas para conter o avanço da Covid-19, os profissionais que recolhem esse lixo foram impedidos de realizar a coleta, o que deixou Patrícia sem saber o que fazer. “Eu não tive coragem de jogar esse lixo no lixo comum, então resolvi guardar em um quartinho e esperar o retorno da coleta pela cooperativa. Mas os meses foram passando e, de repente, abro a porta desse quarto e ele está lotado. Eu pensei, cara, a gente não tem mesmo a noção do quanto a gente produz lixo. A gente joga lixo todo dia, toda a semana, então não se dá conta dessa quantidade”, relata. Em Maceió, quatro cooperativas atuam na coleta de lixo reciclável. De acordo com a Cooplum, uma dessas empresas, as cooperativas surgiram após o fechamento dos lixões e atuam na conscientização ambiental, além de garantir renda para dezenas de famílias. Mensalmente, a Cooplum recolhe 40 toneladas de lixo em residências. “Lembro que, na década de 1990, a prefeitura de Floripa já estimulava a coleta seletiva e minha mãe era muito colaborativa. Ela sempre batia nessa tecla, falava da importância da reciclagem. Cresci com isso dentro de mim. Quando vim morar em Maceió, minha mãe veio me visitar e a primeira coisa que fez foi saber porque não recolhiam o reciclável no meu prédio e como isso funcionava”, conta Patrícia Mess. “Soubemos das cooperativas e tratamos de colocar aqui no prédio. E foi muito bem aceito, mais pessoas tinham essa vontade. Logo, o espaço para o lixo reciclável que havíamos comprado (latões) ficou pequeno. Digo isso porque acredito que as pessoas querem e estão dispostas a reciclar, só precisam entender como funciona e a importância disso. É importante que os governos estimulem a coleta seletiva, façam ações que ensinem como podem ser feitas a separação e a coleta, a importância desse trabalho para as famílias que fazem parte dessas cooperativas e pro meio ambiente”, continua.
LIXO NOSSO DE CADA DIA A maquiagem colorida, as poses estereotipadas e o ar debochado são propositais. Nas fotos do fotógrafo Ailton Cruz, Patrícia Mess aparece em três ambientes que, na percepção da atriz e produtora cultural, dialogam com a realidade pós-pandemia. A roupa que ela veste foi criada com o lixo que ela guardou, uma provocação acerca da possibilidade da reciclagem. A peça é assinada por Beto Gomez; a maquiagem e a direção de arte são assinadas por Lisete Farias; e a assistência de produção por Thiago Calado. “Eu quero que as pessoas se divirtam com esse ensaio, mas quero, principalmente, que elas se assustem. Que olhem para essa quantidade de lixo que eu produzi, sozinha, em poucos meses, e pensem no lixo que elas mesmas produzem”, diz Patrícia Mess.
NA COZINHA No primeiro cenário, na cozinha, Patrícia explica que a ideia é falar sobre a mudança que a pandemia impôs. “Muita gente voltou a cozinhar em casa, a se arriscar como chef, a ‘gourmetizar’ os pratos diários, mas alguém pensou no quanto isso aumentou o volume de lixo?”, questiona a artista. “Não é possível que alguém fique indiferente ao lixo que produzimos depois de ver essas fotos. Elas podem pensar, ‘eita, quanto lixo, como ela come’, mas eu sou igual a todo mundo, a diferença é que eu guardo e dou o destino correto ao lixo. Algo que todo mundo pode fazer.”
NO QUARTO Durante o isolamento, as companhias de milhões de brasileiros foram a programação de lives e o streaming. São esses momentos de lazer que as fotos capturam, revelando, no entanto, o lixo, que não aparece nas fotos das redes sociais.
Bebeto e Leonardo Dias exaltam relação de Lira com Bolsonaro e confirmam apoio ao Senado
“Me tiraram do jogo”: Neno da Laje recupera elegibilidade e volta à disputa
Família Pereira confirma apoio a Renan Filho e encerra indefinição sobre o governo
Arthur Lira adia escolha entre Lula e Flávio Bolsonaro e defende distância dos extremos
Lira nega liberar base para JHC ou Renan e diz que ajudará qualquer governador eleito
“Eu comprei uma comida e veio dentro de uma embalagem plástica gigante, dentro tinha uma caixa, dentro da caixa tinha outra embalagem plástica e vários guardanapos e canudos que eu nem pedi. Esses momentos aumentaram o consumo de muita coisa, da pipoca ao sanduíche, o sorvete”, explica Patrícia.
HOME OFFICE Trabalhar em casa também também foi uma realidade para a produtora, que, entre um projeto e outro, se assustou com a quantidade de lixo que o home office gera. “Tudo muda trabalhando em casa. Você passa a consumir mais comida, a beliscar uma coisa e outra, além de produtos de limpeza e outros”, relata, apontando para as etiquetas que colou nas embalagens e que apontam o tempo que levará para elas se decomporem. “Não estou criticando o consumo, a gente vai continuar produzindo lixo, mas estou criticando a falta de responsabilidade com o lixo que você produz. As pessoas agem como se aquilo não fosse delas, mas é. Você é dono do lixo, lide com ele. Não adianta postar uma foto nas redes sociais usando um canudo de inox, mas não separar o lixo reciclável em casa”, conclui.
SERVIÇO
ENCONTRE UMA COOPERATIVA
COOPLUM
Contatos: (82) 98840-2028 | [email protected]
COOPVILA
Contatos: (82) 99948-4731 | [email protected]
COOPREL (Benedito Bentes)
Contatos: (82) 3378-4087 | [email protected]
COOPREL (Antares)
Contatos: (82) 99816-5444 | [email protected]