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PRA ONDE VAI SUA ROUPA VELHA?

Parceria entre a Apala e a Equatorial Alagoas produz peças artesanais a partir de uniformes de eletricistas e reflete sobre a importância da economia circular

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Qual o destino daquela peça de roupa velha esquecida no armário? E para onde vão os trapos que não têm mais utilidade? Os números superlativos que cercam a indústria têxtil chamam a atenção de iniciativas de consumo sustentável, que tentam minimizar o impacto da cadeia produtiva na natureza e implementar uma nova maneira de enxergar a economia.

Só no Brasil, são produzidas quase 9 bilhões de roupas novas todos os anos. A média é de 42 peças por pessoa, de acordo com dados do Instituto Modefica e da Fundação Getúlio Vargas. Mas quando você compra uma roupa nova, invariavelmente vai se desfazer dela em algum momento. E aí?

Em Alagoas, uma parceria entre a Apala (Associação de Pais e Amigos dos Leucêmicos de Alagoas) e a Equatorial tem mostrado que é possível adotar práticas mais sustentáveis em relação ao ciclo de descarte de resíduos têxteis. A ação reutiliza uniformes de eletricistas para a confecção de peças artesanais.

Os fardamentos doados se tornaram inservíveis como equipamentos de segurança, mas a ação passou a ter uma grande importância enquanto exemplo prático de economia circular - que, além de tudo, ajuda a mudar vidas.

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É o que afirma a voluntária Betânia Gramasco, que trabalha na Apala há 14 anos. Ela coordena o ateliê da instituição e é responsável por receber os uniformes e transformá-los em verdadeiras obras de arte. Além de abrigar máquinas de costura, linhas, tesouras, retalhos e alfinetes, o espaço agora conta com prateleiras repletas de itens que foram produzidos por meio do projeto, como porta-moedas, bolsas e carteiras.

A iniciativa, que é comandada pela área de Comunicação, Marketing e Sustentabilidade da Equatorial, é um exemplo de como transicionar da economia linear para a economia circular, o que exige um esforço conjunto de toda a sociedade, que pode começar atuando localmente.

“Esse lugar é cheio de amor e dedicação. No meio de tantas dificuldades, encontramos oportunidades de ir além. E esse trabalho jamais existiria sem a contribuição dos nossos parceiros, como a Equatorial”, ressalta a aposentada, natural da cidade de Batalha, Sertão de Alagoas.

Nesse contexto, a economia circular prevê o reaproveitamento e o reuso de forma cíclica, com o uso de uma matéria-prima até que ela se esgote.

“A partir da compreensão das demandas e oportunidades existentes na empresa, passamos a desenvolver soluções para o pós-consumo dos uniformes dos eletricistas. Esse projeto é fruto da inquietude e vontade de inspirar pessoas e contribuir para a formação de uma grande rede de impacto”, afirma o presidente da Equatorial, Humberto Soares.

Os primeiros uniformes foram doados para a Apala em novembro de 2021. As vestimentas são feitas de brim, material muito resistente, indicado para profissionais que realizam atividades operacionais, industriais e de construção.

O executivo de segurança da Equatorial Alagoas, Bruno Pimentel, diz que, para a segurança dos colaboradores, essas peças precisam ser renovadas com uma certa periodicidade.

“Além de proteger o funcionário, é o uniforme que passa a imagem da empresa, por isso, é importante mantê-lo sempre bem conservado e trocá-lo sempre que houver necessidade”, resume.

“Essa é a maneira que encontrei de continuar lutando”

A alagoana Maria José da Silva Ribeiro foi diagnosticada com leucemia há quatro anos e, desde então, divide o seu tempo entre o tratamento do câncer, que exige consultas médicas periódicas, e os bordados e costuras do ateliê da Apala.

Ao falar do projeto e do trabalho como voluntária, ela vai às lágrimas. “Essa é uma maneira que encontrei de continuar lutando. Costurar aqui é muito importante para mim, porque a luta contra o câncer é, também, uma luta psicológica, consigo mesmo. Durante o tratamento, a gente pensa em tanta coisa, então esse é um jeito de explorar minha criatividade e não deixar a peteca cair”, diz.

Periodicamente, a associação realiza oficinas de corte e costura com retalhos de tecidos para familiares de pessoas diagnosticadas com leucemia que estão sendo assistidas pela organização sem fins lucrativos. A iniciativa contribui na geração de renda para a instituição e para os próprios associados, que saem aptos para costurar e vender peças artesanais.

“Tudo começa com a mudança de comportamento, a fim de criar consciência sobre a forma como consumimos. Sentimos muito orgulho em poder contribuir para esse trabalho e expor o que foi feito”, finaliza o presidente Humberto Soares.

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