Maré
ELA CONTINUA FEROZ E FENOMENAL
Cristiana Oliveira lança autobiografia e revela os desafios da busca por recuperar a autoestima e driblar as pressões estéticas
Envelhecer, para muitas mulheres, é um motivo de tristeza e até mesmo de desespero. Seja pelo corpo que muda ou pela pressão estética criada pela sociedade, a chegada na ‘melhor idade’, que deveria ser razão de celebração da vida, se torna um desafio. Foi olhando para essa necessidade de reagir e se livrar do peso dos julgamentos alheios que Cristiana Oliveira escreveu “Cristiana Oliveira, versões de uma vida: como o resgate da autoestima e o fim da busca por aceitação me tornaram mais forte e feliz aos quase 60 anos”.
O alerta da passagem do tempo estava soando com a chegada da menopausa. Aí, a atriz Cristiana Oliveira aproveitou os novos questionamentos para escrever sua autobiografia. Ao longo de seis anos, a artista compartilhou da forma mais sincera possível sua trajetória e os sentimentos que vêm junto com a idade
Como criança, cheia de descobertas a fazer, Cristiane chegou aos 58 anos embarcando em um novo universo de dúvidas sobre o corpo, a estética, as vivências e os momentos que estão por vir. Foi a partir disso que a eterna Juma Marruá da década de 1990 percebeu o quão necessário era falar sobre a autoestima feminina durante essa fase da vida.
Lidando com os comentários estéticos trazidos pelos fãs através das redes sociais, a artista começou a prestar atenção se existia algo em seu corpo atual que a incomodava ou que não a deixasse mais confortável com a imagem refletida no espelho.
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“Quando tinha 52 anos eu entrei na menopausa, meu corpo, comportamento, mudaram. Meus hormônios ficaram todos confusos, comecei a engordar, a pele já não era mais a mesma, era tudo complicado e as pessoas começaram a comentar que a Juma estava deformada, me criticando muito, dizendo sempre que eu não era mais bonita como antes”, contou.
Foi ultrapassando os obstáculos criados pela própria mente que Cristiana passou a levar a situação na esportiva, rindo de si mesma e aceitando as mudanças trazidas pelo tempo, abrindo as portas para sua melhor fase: a maturidade. De acordo com ela, foi a partir disso que o livro surgiu, pois ela queria contar sobre sua história e essa relação a idade, com o tempo e consigo mesma.
A ‘Krika’, como é chamada pelos amigos mais íntimos, ingressou no mundo da literatura relatando todas as versões de sua vida. A infância, a luta contra a obesidade, a auto-rejeição na adolescência, a independência financeira, a fama de Juma Marruá, a revista Playboy e todos os caminhos percorridos. Tudo isso ela detalhou no livro “Cristiana Oliveira, versões de uma vida”, que também traz um olhar mais afetuoso para a maturidade.
Para auxiliar a artista nesse novo desafio profissional, a jornalista e escritora Larissa Molina embarca como coautora da obra e, mesmo com a grande diferença de idade, inicia uma amizade com Cristiana Oliveira.
“Larissa foi uma surpresa! Eu queria alguém que desse um ar mais literário para aquilo que estava escrevendo, procurei algumas pessoas e, aí, ela chegou, sendo mais nova que minha filha e entendendo com maestria o meu coração, meu propósito e minha alma. Houve uma simbiose, ela se emocionou com o que eu falava, eu me emocionei com a forma que ela escreveu, compartilhamos muitos momentos de afeto e, hoje, somos amigas”, contou Cristiana.
ENVELHECENDO BEM
De acordo com a atriz, ela conseguiu perceber o quanto está madura com a idade que tem, analisando os obstáculos que venceu. Ela percebeu que está bem com o fato de envelhecer.
Ao relembrar sua trajetória, Cristiana diz que chegar aos 60 anos tem sido bom e questiona a razão de as pessoas passarem tanto tempo pensando e sofrendo pela morte, que é uma coisa inevitável. A eterna Alicinha da novela O Clone está vivendo a vida aproveitando tudo que o tempo ainda tem para lhe oferecer.
Vivenciando a febre das redes sociais e a pressão estética trazida por elas, a artista, que já foi para a mídia uma das mulheres mais bonitas do Brasil, conta que a jovem Cristiana não saberia lidar com as críticas.
“A Cristiana de 20 anos atrás ficaria extremamente magoada, com medo de se expor, choraria pelos cantos como toda jovem sem experiência. E é por isso que a maturidade é tão bacana, a gente envelhece por forma, mas o amadurecimento traz para gente uma sustentação e uma base que você consegue estar viva e aproveitar os momentos do presente com muito mais valor do que um jovem”, afirmou.
Mesmo sendo estranho vivenciar os seus quase 60 anos, Cristiana não deseja realizar procedimentos estéticos para atender as tendências da atualidade e afirma estar confortável com sua imagem atual.
ESPERANÇA NO FUTURO
Com o corpo feminino sofrendo historicamente uma pressão social para estar dentro dos padrões considerados belos, Cristiana Oliveira, diz que a continuidade dessa opressão é resultado das redes sociais e da imprensa, que segue vendendo os corpos das mulheres, insistindo em padrões de beleza, quando muitas pessoas criam uma ideia de aceitação inexistentes.
Ainda assim, a atriz afirma que acredita que as futuras gerações não aceitarão essas situações e encerrarão a busca incessante pela validação social.
“As novas gerações já não admitem essas pressões estéticas, um grande exemplo para mim é minha filha, que tem 23 anos, e já não aceita qualquer crítica sobre seu corpo, seu estilo ou qualquer outro tipo de violência contra o outro”, contou.
Cristiana revela que o livro é uma visita à sua história, mas uma visita despretensiosa, que quer apenas ajudar as pessoas que estão chegando na melhor idade a compreenderem esse capítulo da vida. Ela afirma que em 2023 existe a possibilidade da obra literária se tornar um monólogo. O livro está disponível para venda no site da Editora Letramento e foi lançado em Maceió essa semana, com a presença da autora.
* Sob supervisão da editoria da Revista Maré