Maré
TRINTA ANOS: Juventude ou maturidade?
Geração de alagoanos chega à fase adulta com sede de viver, mas com dúvidas sobre como se comportar
“Sonhos de adolescente, mas as costas doem”, cantou a artista Sandy, em 2013, em “Aquela dos 30”, relatando as angústias trazidas pela chegada dessa nova idade. Ainda hoje, entrar na casa dos 30 é embarcar em um universo de novos dilemas, ciclos, sensações e experiências. Celebrar ou temer a chegada da fase? Essa tem sido uma das dúvidas daqueles que estão chegando ou já passaram por esse marco temporal.
Para lidar com o momento, muitos têm buscado ajuda profissional para manter a saúde mental em dia e não entrar em crise com os temidos 30 anos. O psicólogo João Paulo Alves (CRP - 15/6139) afirma que a passagem do tempo não representa somente a maturidade física, emocional e social de uma pessoa. Ela também traz consigo as frustrações das experiências que cada fase apresenta, o que termina causando incômodos em parte da população.
Tema comum nas diversas consultas do psicólogo, ele explica que queixas mais frequentes surgem das comparações com os êxitos do próximo, o que dá margem à manifestação de sentimentos e emoções desreguladas que resultam na sensação de frustração pelo que ainda falta.
“Muitas pessoas afirmam não terem alcançado todas as metas traçadas para a chegada da fase, como se a vida fosse um processo linear e previsível. A fase dos 30 corresponde ao levantamento dos ganhos materiais e afetivos, através dos quais as pessoas avaliam o nível de estabilidade alcançado, tem um significado particular para cada pessoa, mas, geralmente, é a formalização da pessoa adulta”, detalha Alves.
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SEDE DE VIVER
Estevão de Lima, de Maceió, é uma das pessoas que resolveram levar os conflitos da chegada da nova década de vida para o consultório do psicólogo. Ainda vivendo o momento dos quase trinta, ele afirma que o conflito entre ter uma mente com ideias jovens e as consequências físicas do amadurecimento também são dilemas vivenciados por ele.
“Chegar aos 30, para mim, significa aumentar a marcha. Não dá mais tempo para deixar para depois. É hora de viver o que há pra viver, vamos nos permitir. Muda também o meu olhar sobre as pessoas de 40, 50 e 60. Isso se torna palpável, antes parecia muito distante. Preciso me cuidar para chegar aos 60 ‘inteiro’”, relata.
Enquanto espera e tenta entender o que significa completar 30 anos, Estevão lida com o estranhamento de pensar que até pouco tempo atrás estava chegando nos 20, com dilemas e dúvidas diferentes. Hoje, seu medo existe em função da perspectiva de tempo, que parece estar passando mais rápido.
Já a empresária Luanna Rocha conta que depois que passou dos 25 anos, tudo que mais queria era alcançar os tão falados 30 anos. Conhecida pelos amigos por sempre olhar a vida de uma maneira otimista e com muito bom humor, para ela o maior choque dos 30 foi ter que começar a terapia.
“A terapia é uma das únicas certezas dos 30. A outra é de que eu ainda tenho muita coisa para viver, nessa fase dos 30 já consegui concluir duas metas, abrir meu próprio negócio e comprar meu carro. Meu único incômodo é você acordar cedo pra fazer terapia e ser obrigada a ter responsabilidade de casa. O resto, meu bem, é tudo aprendizado”, brinca Rocha.
VIVER O PRESENTE
Encarar a rotina com bom humor e aceitar que cada conquista ou experiência merece ser vivenciada no tempo que é possível, é uma das dicas dadas pelo psicólogo João Paulo Alves para se preparar para a chegada da década dos 30. Além disso, entender que, embora, culturalmente, venda-se a ideia de que cada idade deva traçar um percurso delineado, as cobranças externas não devem ser uma bússola nesse momento.
“Para serem saudáveis, os 30 anos precisam ser encarados como singulares, bem como são singulares as experiências de dor, amor, tristeza e alegria. O que não for possível, por circunstâncias da vida, ser vivido aos 30, vive-se, então, aos 40, 50... O importante é entender o esforço feito em função de cada experiência e o sentido particular que isso traz para cada pessoa”, orienta o psicólogo.
ADEUS AOS 30
Passando por diversos acontecimentos durante a fase dos 30 anos, para alguns, a chegada dos 39 é motivo de esperar ansiosamente a vinda dos 40, para poder dar início a um novo ciclo. Esse é o caso da psicóloga Ana Luiza, que ainda se sente jovem e opta por não seguir os comportamentos impostos pela sociedade.
Repetindo para si mesma, e para os outros, que já é uma mulher de quase quarenta anos, Ana Luiza lida com os dilemas de ter uma aparência de jovem, mas muitas histórias para contar adquiridas durante as quatro décadas vividas.
“A sociedade exige que os comportamentos mudem com o passar dos anos. Ditando como devem se vestir, com quem andar ou como falar e eu me sinto jovem, e talvez por isso viva repetido a mim e aos outros que falta pouco para os 40. Sou livre!”
*Sob supervisão da editoria de Cultura