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Nº 5718
Maré

Homens gordos de Alagoas tem dificuldades para encontrar o que vestir

Mesmo com uma nova visão do mundo da moda, homens plus size continuam enfrentando dificuldades para encontrar roupas

Por Thauane Rodrigues* | Edição do dia 17/01/2023 - Matéria atualizada em 25/01/2023 às 15h27

 

Foto: Thauane Rodrigues
  

Entre cabides, prateleiras e manequins, o processo de inclusão e empoderamento na moda aparentemente tem sido feito e pensado apenas para as mulheres. Enquanto o universo plus feminino se expande e ganha as vitrines, os homens gordos buscam por alternativas diversas para conseguir se vestir.


Com corpos fora de um padrão imposto, a parte gorda e masculina da sociedade lida com escassez de tamanhos grandes nas araras das lojas. Essa é a realidade de aproximadamente 57,1% dos homens brasileiros, incluindo o administrador Renatho Gomes, que desde a pré-adolescência é acostumado a comprar roupas de tamanhos maiores e sofrer com os olhares de julgamento.


É com os olhos atentos nas prateleiras e na numeração das etiquetas que Renatho relembra o início das complicações com as roupas. Com 30 anos e pesando mais de 100kg, o administrador conta que desde os 12, quando começou a engordar, que ir ao shopping sempre era uma experiência frustrante, em vez de prazerosa. 


Segundo Renatho, entrar em uma loja para procurar roupas em um número maior sempre é um incômodo, além das chacotas que são constantes. "Quando eu era criança procurar um número maior sempre me incomodava e isso não mudou conforme fui crescendo e engordando mais, às vezes queria seguir as tendências da moda, mas cada vez mais foi ficando complicado encontrar as peças. Além disso, as piadas sempre me incomodavam".


Por sorte do destino, uma das irmãs de Renatho resolveu aprender a costurar e fazia dos irmãos seu manequim. A partir desse momento, ter roupas novas ficou um pouco mais fácil, já que a única preocupação era encontrar os tipos de tecidos adequados para cada peça. 


UMA NOVA POSSIBILIDADE 

Com a chegada da sessão plus size dentro das lojas de departamento e que incluem as roupas masculinas, a procura das peças tem sido menos cansativa para alguns. O jovem de 22 anos, que optou por não ser identificado, desde que descobriu a sessão passou a levar um modelo de calça e blusa para medir nas peças oferecidas pelas lojas. 


“Provar roupa sempre foi muito constrangedor para mim, principalmente porque quase sempre eu saía dos provadores sem levar peça nenhuma para casa. Hoje, trago peças de casa e vou medindo, assim, não preciso provar e tenho mais noção do que pode ou não dar em mim”. 


Mesmo com essa evolução, algumas peças continuam gerando insatisfação na clientela, que se queixa da baixa qualidade de alguns modelos e da falta de variedade. Além disso, a sessão plus, mesmo tendo alta demanda, continua sendo mal divulgada, tanto que muita gente ainda desconhece a existência dela. 


Um exemplo disso é o servidor público Marcos Rufino que ao ser perguntado se tinha conhecimento da chegada das roupas plus nas lojas de departamento afirmou não ter nem ideia da existência da sessão. 


Sendo um comprador fiel das lojas online, devido à disponibilização de numeração maior, Marcos revela que começou a ter mais facilidade para encontrar roupas no processo de perda de peso, após realização de um procedimento cirúrgico.


“Achar roupa de qualidade para tamanhos grandes é sempre um desafio. Já optei por mandar costurar camisas e calças por não encontrar na cidade. Com a diminuição do peso, achei mais opções de roupas, mas pela internet acho com mais facilidade. Meu guarda-roupa tá complicado nessa fase de redução, estou perdendo roupa rápido e tenho que ir devagar para não comprar agora e perder pouco tempo depois”. 


A dificuldade em encontrar roupas também é percebida por Alexandre Freitas, que afirma que a partir do momento em que começou a ganhar peso enxergou os obstáculos na hora de comprar peças novas. A busca pelo tamanho desejado, de acordo com ele, tem evoluído com o tempo, graças à consciência de algumas lojas que passaram a abrir mais os olhos para os corpos gordos, mas que ainda assim nem sempre são assertivas. 


“Sempre procuro lojas específicas, nas quais já sei que irei encontrar o tamanho desejado, mas apesar de seguirem essa linha "plus size" as lojas ainda seguem um tamanho padrão, que nem sempre se encaixa aos corpos grandes. Algumas coisas têm mudado, evoluído, hoje já não é uma opção mandar confeccionar uma roupa nas minhas medidas, pois já consigo encontrar lojas que trabalham com uma visão mais ampla para o público plus”, diz.


MAIS FÁCIL PARA AS MULHERES


Em contrapartida, as mulheres gordas têm conseguido encontrar com maior facilidade roupas que se adequam aos seus corpos, que chegam até a descobrir uma nova qualificação dos tamanhos. Do slim, para o midsize, até o plus, as lojas cada vez mais se reinventam para agradar ao público feminino. 

O aumento da numeração das etiquetas é possível observar a partir do crescimento da visibilidade das modelos plus size dentro e fora de Alagoas, que já é um dos estados que abriga o concurso Miss Brasil Plus Size.

A digital influencer e modelo Hyolanda Marcela é um dos exemplos disso e utiliza as redes sociais para entregar conteúdo cheio de empoderamento, aceitação e vídeos provando roupas das mais diversas lojas.

Apesar de mais fácil para as mulheres, a moda como um todo, masculina e feminina, precisa se adequar à realidade dos corpos, é o que defendem os alagoanos e alagoanas ouvidos pela reportagem.

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