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Nº 5709
Maré

Especialista explica o que é e dá dicas para fugir de relações tóxicas

Relações abusivas podem causar danos psicológicos a longo prazo, incluindo ansiedade, depressão e estresse pós-traumático

Por Maylson Honorato e Thauane Rodrigues | Edição do dia 28/01/2023 - Matéria atualizada em 23/02/2023 às 14h45

Relacionamentos abusivos são uma realidade triste e difícil de lidar para muitas pessoas. Eles podem ser físicos, psicológicos, sexuais ou financeiros e podem ter um impacto devastador na vida de uma pessoa. Saber identificar os sinais de um relacionamento abusivo e como sair dele é crucial para a recuperação e o bem-estar emocional.


O assunto ganhou repercussão nacional após cenas de Gabriel, participante do reality Big Brother Brasil 23, repercutirem nas redes sociais. Nelas, Gabriel aparece empurrando, cerceando falas e até dando a entender que daria cotoveladas na boca de uma participante com quem se envolveu durante o programa televisivo.


De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Missouri, cerca de 25% das mulheres e 14% dos homens relataram ter sido vítimas de violência física por um parceiro íntimo, enquanto estavam em um relacionamento abusivo ou tóxico. Além disso, uma pesquisa realizada pelo Centro de Prevenção de Violência Doméstica mostra que os relacionamentos abusivos podem causar danos psicológicos a longo prazo, incluindo ansiedade, depressão e transtornos de estresse pós-traumático.


Uma mulher alagoana que preferiu não ser identificada, diz que viveu esse tipo de relacionamento por três anos e meio. Ela diz que não é fácil enxergar os tão falados sinais enquanto está se doando à relação. No começo, ela percebeu que o parceiro recriminava suas demonstrações de afeto, mas naquele momento não leu isso como uma forma de abuso. Ela conta como tudo evoluiu.


“Por estar envolvida em discussões e leituras sobre feminismo,logo no começo já fui percebendo alguns pontos, mas com o passar do tempo pioraram. Todas as pessoas que se aproximavam de mim eram vistas como alguém que estava ‘dando em cima’ de mim e eu dando cabimento”, revela. 


“Mexia em meu telefone enquanto eu ia tomar banho, foi então que comecei a bloquear, daí começou a tirar meu chip enquanto eu dormia e instalar minhas redes sociais em outro aparelho, nisso também pegava meu cartão de memória pra verificar as imagens que eu recebia. Pedia para as amigas dele ligarem para as operadoras fingindo ser eu pra ter acesso aos números que eu ligava e recebia chamadas”, conta.


Um dos primeiros sinais de um relacionamento abusivo é a falta de respeito. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Strathclyde, cerca de 70% das vítimas de violência doméstica relataram que seus parceiros não as respeitavam. Outro sinal comum é a pressão para mudar. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Sussex mostrou que cerca de 60% das vítimas de violência doméstica relataram que seus parceiros tentavam mudar quem elas eram.


A psicóloga Laurianny Cavalcante ressalta que muitas pessoas têm a ideia de que uma pessoa vítima de um relacionamento abusivo é somente alguém vulnerável, frágil. Porém, pessoas notoriamente bem resolvidas e seguras também pode se submeter a isso. “Relacionamento abusivo é quando uma das partes tenta ter poder total sobre a outra pessoa, não importando a opinião do indivíduo ali vítima, praticando abuso psicológico, físico, que vai trazendo raízes em vários aspectos como sexual, moral”, explica.


“Para identificar é necessário estar atento aos detalhes. Os gatilhos de opressão, as palavras rudes, comportamento agressivo, falta de empatia pelo momento, história. Muitas vezes, quem está de fora consegue enxergar melhor do que quem está dentro do relacionamento podendo ser um sinal de alerta. É preciso então observar antes que a intenção vire ação”, afirma.


A psicóloga dá dicas para lidar com esse tipo de situação e o perfil de abusadores. “O autoconhecimento faz com que você tenha segurança de quem você é para além do relacionamento afetivo, interpessoal e familiar. Entender quem você é, é o primeiro passo do autocuidado, porque aí passa a limitar ações abusivas, seja ela psicológica ou física”, diz Laurianny Cavalcante.


“O perfil clássico do abusador é colocar na vítima a culpa, fazendo com que retroceda a intenção da denúncia ou a denúncia propriamente dita, e quando você está segura de si consegue não deixar o emocional invalidar sua razão diante dos fatos”, continua a especialista.


“Pra quem já passou, eu aconselho buscar uma terapia. Fortaleça suas raízes, seu autoconhecimento, saiba de fato quem você é e o que não pode permitir dentro da bolha que colocaram você. Lembre, aquilo que não trás paz não é pra ficar. E para não repetir o ciclo, cuide dos gatilhos, senão só mudará o personagem porque o ciclo tende a repetir”, diz.


“E se está passando, sinais identificados, busque proteção. Tenha pessoas de confiança para dividir a situação, construa uma rede de apoio para então sair do relacionamento sem deixar brechas para o agressor e diante do nível abusivo busque as autoridades legais”, finaliza.

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