PÓS-FESTAS
De volta ao eixo
Como hidratação, alimentação leve e cuidados profissionais ajudam o corpo a se recuperar dos exageros de fim de ano, sem fórmulas mágicas ou punições


As semanas que se seguem às festas de fim de ano costumam trazer à tona um velho conhecido: o arrependimento após dias de pratos fartos, sobremesas irresistíveis e bebidas sem hora para acabar. O resultado aparece rápido, com a sensação de estômago pesado, inchaço, cansaço e um mal-estar que denuncia os excessos típicos do período. A virada do calendário e a chegada do novo ano, porém, também renova a busca por estratégias para recuperar o equilíbrio e minimizar os efeitos da comilança que marcou as celebrações.
Nesse cenário, diferentes artifícios ganham espaço como aliados para acelerar a volta ao bem-estar: desde ajustes simples na alimentação até procedimentos estéticos que prometem aliviar o inchaço. Especialistas reforçam, no entanto, que não existe fórmula mágica. A base da recuperação continua sendo a hidratação adequada, refeições mais leves e o retorno gradual à rotina alimentar equilibrada e, claro, à prática de atividade física. Combinados a cuidados profissionais, esses hábitos ajudam o corpo a retomar seu ritmo natural sem exageros e sem culpas.
A nutricionista Eduarda Barros conta que o primeiro passo após os excessos é voltar ao básico. Se hidratar bem, regularizar os horários das refeições e retomar o consumo de pratos equilibrados, com proteína, fibras e vegetais. “Não é necessário compensar ou restringir. O corpo responde muito melhor à regularidade do que às punições”, pontua.

Ela destaca que indica para os pacientes uma regra simples, mas eficaz, a do ‘um sim e nunca dois’, que consiste em para cada ‘erro’ em uma refeição, na próxima já voltar à rotina. “O que funciona é dar suporte ao corpo, com uma boa alimentação, boa hidratação e descanso. Isso já é ‘detox’ suficiente”, afirma.
Nos dias seguintes aos exageros, é importante priorizar alguns alimentos que contenham fibras, como aveia, chia e frutas, que ajudam a regular o intestino; ricos em água, como pepino, abobrinha e melancia, que auxiliam na hidratação; e em proteínas, como carnes, ovos, peixe e frango, que trazem saciedade.
Entre os principais erros, que muitas pessoas cometem, estão pular refeições e adotar dietas restritas. O mais eficaz mesmo é o básico, a volta à rotina, sem precisar ficar sem comer por longos períodos e sempre atento à hidratação.
“O que funciona é retomar a rotina normal, com refeições leves e nutritivas, sem punição. A hidratação é fundamental porque o álcool desidrata e aumenta a retenção de líquidos. Uma boa referência é de 30 a 35 ml por kg de peso, mas ouvir a sede e distribuir a água ao longo do dia também funciona muito bem. Água de coco também é excelente porque repõe eletrólitos naturalmente. Já os isotônicos são mais indicados para quem realmente bebeu muito ou perdeu muitos eletrólitos, mas não precisam ser usados por todo mundo”, pontua Eduarda.

Ela também diz que é fundamental que as pessoas entendam que chás e outros produtos geralmente consumidos nesses períodos não vão fazer milagre. “O que é mito é achar que o chá substitui uma refeição ou ‘elimina’ o que foi comido. Eles não fazem milagre, mas podem ajudar, principalmente os diuréticos, como o de cavalinha, hibisco e o chá verde. Ficar sem comer também não acelera a recuperação e nem ‘queima’ o que foi consumido. Pelo contrário, aumenta a compulsão, piora a hipoglicemia e pode levar a mais exageros depois”, declara.
E para quem pretende aliar a retomada da rotina alimentar a procedimento que ajudam a aliviar o desconforto causado pelo inchaço e pela retenção hídrica, a fisioterapeua Leônia Meury dá a dica: técnicas como drenagem linfática e massoterapia específica auxiliam o corpo a reequilibrar fluxos de líquidos, melhorar a circulação e reduzir tensões musculares.
“Eles não ‘corrigem’ os excessos, mas ajudam o organismo a voltar ao seu estado de equilíbrio de forma mais confortável”, explica.
Ela ressalta que o inchaço após consumo de comida e bebida em excesso é comum, especialmente pelo aumento do consumo de sal, de carboidratos simples e de álcool além do normal, o que acaba favorecendo a retenção de líquidos. “O álcool, por exemplo, desidrata e altera o equilíbrio dos eletrólitos, levando o corpo a reter mais água. Além disso, longos períodos sentados, sono irregular e menor ingestão de água diminuem a eficiência circulatória e linfática, favorecendo o edema”, pontua.

DRENAGEM
Um dos tratamentos mais procurados nesse período do ano é, justamente, a drenagem linfática, que é muito eficaz quando há retenção hídrica por alimentação rica em sódio; inchaço após longas viagens; períodos de maior sedentarismo e desconforto corporal ligado a retenção de líquidos.
Leônia diz que muitas pessoas sentem alívio já na primeira sessão, especialmente quando o edema é leve a moderado. Porém, para resultados mais consistentes, são recomendadas algumas sessões, dependendo da necessidade individual.
Mas antes de agendar a drenagem linfática, é importante se atentar às contraindicações, como as infecções ativas, trombose, insuficiência cardíaca descompensada e alguns quadros inflamatórios. “Por isso, a avaliação profissional é indispensável”.
MANTA TÉRMICA
Outro procedimento muito buscado pós-excessos é a manta térmica, que promove vasodilatação e o aumento da circulação local, ajudando a melhorar o fluxo sanguíneo e linfático. “Isso pode contribuir para a sensação de relaxamento e aliviar leves retenções. No entanto, seu uso deve ser controlado e criterioso, pois nem todas as pessoas se beneficiam do calor”, completa Leônia.

MASSAGEM MODELADORA
Com manobras mais intensas, que têm o objetivo de melhorar o tônus e a aparência da pele, a massagem modeladora estimula o tecido e pode proporcionar sensação de leveza por aumentar a circulação, mas não é a técnica mais indicada para tratar retenção hídrica. “Para inchaço, a drenagem linfática é mais efetiva”, explica a especialista.
“Todos esses procedimentos podem ajudar de forma real, pois atuam sobre mecanismos fisiológicos como circulação, retorno venoso e movimentação de líquidos. Porém, isso não substitui hábitos saudáveis. O alívio pode ser tanto imediato quanto cumulativo, dependendo do quadro de cada pessoa”, completa Leônia.
Ela explica, ainda, que a expressão ‘eliminar toxinas’ não é totalmente precisa ao nos referirmos a esses procedimentos, apesar de serem termos bastante utilizados. Isso porque quem realmente faz esse trabalho são os órgãos como fígado, rim e instestino.
“O que podemos dizer é que a drenagem linfática, a manta térmica e até algumas suplementações podem ajudar o corpo a funcionar melhor, porque estimulam a circulação, reduzem a retenção de líquidos e favorecem o equilíbrio do organismo. Então, eles não fazem o ‘detox’ sozinhos, mas podem apoiar os processos naturais de limpeza do corpo”, diz.
E para começar o ano reduzindo o inchaço sem cair em promessas milagrosas, Leônia reforça uma lista de iniciativas que devem ser adotadas.
“Respeite seu tempo de recuperação, hidrate-se bem, retome gradualmente uma rotina equilibrada, evite soluções ‘rápidas demais’ ou tratamentos agressivos, busque profissionais capacitados e avaliações individualizadas, priorize hábitos sustentáveis, como alimentação leve, movimento diário e autocuidado. O objetivo não é compensar o que passou, mas começar o ano com mais consciência, equilíbrio e bem-estar”, destaca.
