NATURAL E ESTILOSO
Joias com alma alagoana
Conheça a joalheria que une força feminina, arte ancestral e o brio da natureza


Tecendo os pontos de filé, a marca de joias artesanais Briodela surge como um contraponto à instantaneidade e ao desperdício dos recursos naturais. Incorporando a calmaria que somente as águas do mar podem oferecer, as conchas, pérolas e cascas de ostras compõem a essência das joias. Evocando ancestralidade, cuidado e a força da natureza, a designer Ana Félix cria à mão peças que transbordam significado.
Designer e formada em Produção de Moda pela Escola Técnica de Artes da Ufal, Ana afirma que os acessórios que criava ainda não tinham uma identidade própria. A Briodela foi crescendo nela aos poucos, durante o curso. Os experimentos, estudos e trocas foram partes importantes para impulsionar o seu poder criativo.
E assim, a Briodela ganhou alma: “Ali, entre experimentos e descobertas, eu entendi que poderia criar algo maior, algo que falasse de força, delicadeza e propósito. O meu TCC, dedicado ao poder feminino, foi o solo fértil onde a Briodela floresceu. E assim, quase como um chamado, a marca ganhou nome, forma e coração”, diz.

A poesia começa pelo nome: ‘Brio’ significa sentimento de dignidade ou consciência do próprio valor de uma pessoa; amor-próprio; orgulho. Somado ao “Dela” que reafirma o poder da feminilidade, é algo que pertence a ela, que nasce da mulher.
As joias entregam mais que beleza e elegância, entregam uma mensagem marcante: reverenciar a terra e a identidade alagoana. “O primeiro grande desafio é fazer o público enxergar o valor do que nasce aqui, da nossa cultura, da nossa terra, das mãos das mulheres artesãs que vieram antes de nós. Às vezes, o que é regional precisa lutar mais para ser reconhecido como sofisticado, e mostrar essa sofisticação é um trabalho constante”, relata a designer.

O filé é o pilar da marca. Para a criadora, a técnica ancestral e patrimônio imaterial de Alagoas tem muito a dizer. Prezando por cada detalhe e apreciando as formas que somente a manualidade pode proporcionar, a Briodela perpetua o legado. O crochê adiciona textura, delicadeza e um toque afetivo às peças.
As cascas de ostra, que normalmente seriam descartadas, são matéria-prima e ganham novo sentido nas mãos de Ana, como ela destaca: “É provar que a beleza também mora no simples, no natural, no imperfeito”.
Além da função ornamental, as peças refletem a paixão e o propósito de quem as cria. “Fazer peças que respeitem o mundo, que carreguem memória, que contem histórias. Peças que façam pensar, sentir e lembrar que tudo que nasce da natureza pode voltar ao mundo de uma forma mais bela”.
As coleções surgem de maneira singular, de referências artísticas como Cores de Frida e Conto de Areia, inspirada em Clara Nunes, ou de forma mais particular e introspectiva, externalizando sentimentos e vivências da criadora.

Segundo ela, o processo criativo de estruturar uma coleção, decidir formas, cores e significados pode ser um tanto complexo. Em contrapartida, a produção é mais divertida. Ver o que nasceu no imaginário se tornar real é recompensador.
Enquanto o mercado tem pressa, o slow fashion e o artesanato prezam por respeitar os ciclos da natureza e desacelerar. “Criar manualmente, respeitando processos, ancestralidades, materiais naturais, exige paciência. E nem sempre o ritmo da moda acompanha o ritmo da alma. A sustentabilidade também tem seus embates”, fala.
Para o futuro, Ana Félix procura crescer, mas sem perder o que sustenta a marca: a essência. E ainda seguir lutando pelo espaço da moda com alma. “Levar a Briodela para novos lugares, novos públicos, novos cenários, sem abrir mão do que ela tem de mais íntimo, como o filé, a casca da ostra, o crochê, as histórias, o olhar poético, a força feminina. Mas, apesar dos desafios, existe algo que nunca muda, que é a certeza de que o que nasce da nossa verdade encontra o seu espaço”, finaliza Ana Félix.
