COLUNA ILCA MARIA ESTEVÃO
Vermelho Valentino: a cor ícone do luxo
Conheça a história do tom que era a assinatura do designer italiano Valentino Garavani, que faleceu na última semana


Valentino Garavani morreu na segunda-feira (19/1), aos 93 anos, em Roma. O designer italiano deixa como legado uma marca indelével no vestuário feminino, celebrando ao longo de décadas o romantismo e a sofisticação por meio de uma estética inconfundível. Entre suas maiores contribuições para o universo da moda está o icônico Valentino Red — uma tonalidade cuidadosamente lapidada ao longo dos anos, que se tornou sua assinatura máxima e um dos códigos visuais mais reconhecíveis da história da moda. Vem saber mais!
A história
Presente em criações emblemáticas, o vermelho Valentino passou a simbolizar poder, paixão e elegância. A cor marcou vestidos históricos e momentos memoráveis nos tapetes vermelhos ao redor do mundo, ajudando a eternizar o nome da grife como sinônimo de luxo atemporal.
Suas criações vestiram mulheres que personificavam esse ideal, como Jackie Kennedy, Grace Kelly, Audrey Hepburn e Elizabeth Taylor.

O primeiro vestido vermelho criado por Garavani foi apresentado ao público na coleção primavera/verão de 1959. Batizado de La Fiesta, o modelo sem alças, confeccionado em tule, causou impacto imediato. O tom vibrante da peça consolidou-se como um código visual inconfundível, associado ao romantismo, à sensualidade refinada e à sofisticação — reconhecimento que mais tarde seria oficializado pela Pantone.
A paixão do estilista pela cor surgiu numa temporada em Barcelona. Ao assistir à ópera Carmen, Valentino se encantou com os figurinos vermelhos do elenco e teve uma revelação estética.
“Encantado, vi uma mulher de cabelos grisalhos em um dos camarotes, muito bonita, vestida de veludo vermelho. Entre todas as cores usadas pelas outras mulheres, ela parecia única, isolada em seu esplendor. Disse a mim mesmo que, se algum dia me tornasse estilista, faria muitas peças vermelhas”, relembrou em entrevista à Vogue.
Desde então, Garavani passou a incluir ao menos um vestido vermelho em cada coleção. O ritual atravessou décadas e permanece mesmo após sua saída da direção criativa da maison, posteriormente assumida por Alessandra Facchinetti.

Como resumiu seu sócio Giancarlo Giammetti à Vogue, em 1985: “Valentino tem superstições que acabaram se tornando símbolos de status. Ele usou o vermelho uma vez e, desde então, o vermelho está presente em todas as coleções”.
Mestre da alta-costura
Nascido em 1932, em Voghera, na Itália, Valentino estudou moda em Paris antes de retornar a Roma, onde fundou sua grife nos 1960. Nas décadas seguintes, construiu uma carreira marcada pela valorização do feito à mão e pela distinção estética.
O anúncio da morte do designer foi feito nas redes sociais da Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti. “Nosso fundador, Valentino Garavani, faleceu hoje em sua residência em Roma, cercado por seus entes queridos”, disse o comunicado.
