ESPAÇO PET
Peixes também são pets e exigem mais cuidados do que parecem
Veterinário explica por que o aquário ideal para peixes vai muito além de água limpa e ração diária


Silenciosos, aparentemente simples e associados à ideia de baixa manutenção, os peixes ainda são vistos por muita gente como animais de estimação “fáceis”. Mas essa percepção está longe da realidade. Ter um aquário em casa exige planejamento, estudo e cuidados constantes com o ambiente.
A ideia de que peixe “dá menos trabalho” costuma levar iniciantes a decisões equivocadas logo no início. Segundo o veterinário Thiago Borba, o primeiro passo antes mesmo de comprar os animais é preparar corretamente o ambiente.
“Os cuidados são diferentes dos pets convencionais, mas não são menores. Seja aquário ou lago, a ambientação é fundamental. O maior cuidado deve ser com a qualidade da água”, explica o profissional.

Erros comuns
Entre os equívocos mais frequentes estão trocar toda a água de uma vez, superlotar o aquário e oferecer comida em excesso. Essas práticas desestabilizam o ambiente e podem causar estresse, doenças e até a morte dos peixes.
“A filtragem adequada e os testes frequentes para medir substâncias dissolvidas na água são indispensáveis”, destaca o veterinário.
Ciclo do nitrogênio
Um dos pontos menos conhecidos por quem está começando é o chamado ciclo do nitrogênio. Ele garante que resíduos tóxicos, como amônia e nitrito, sejam convertidos em compostos menos nocivos.
“Sem esse equilíbrio biológico, a água pode parecer limpa, mas ser extremamente prejudicial para os peixes”, alerta Thiago. Por isso, a montagem do aquário deve respeitar o tempo de maturação do sistema antes da introdução dos animais.
Assim como cães e gatos, peixes precisam de condições adequadas para ter qualidade de vida. Isso inclui equilíbrio entre filtragem, iluminação, controle de temperatura, além do número e do tipo de espécies.
“É essencial estudar a compatibilidade entre os peixes, o tamanho que eles terão quando adultos e adaptar o aquário a essas necessidades”, afirma Thiago.
A presença de plantas também faz diferença. Além de deixarem o ambiente mais bonito e imersivo, elas contribuem para o equilíbrio do sistema. No entanto, a escolha deve ser criteriosa. “Cada planta precisa ser compatível com o tipo de peixe, a iluminação e toda a dinâmica do aquário”, completa o expert.
No fim das contas, cuidar de peixes é assumir a responsabilidade por um ecossistema inteiro. Além disso, é entender que, mesmo sem latidos ou miados, eles também dependem de atenção, conhecimento e respeito.
