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EM BUSCA DE UMA VAGA

Pós-Carnaval com estratégia

Para muitos, o pós-folia é o momento certo para buscar uma vaga de emprego; especialistas falam sobre

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Busca por oportunidade de emprego tende a aumentar pós-Carnaval
Busca por oportunidade de emprego tende a aumentar pós-Carnaval | Foto: Dragos Condrea

Dizem que o ano só começa após o Carnaval. É tempo de redirecionar as rotas e trabalhar para que os planejamentos feitos ainda em dezembro possam começar a se concretizar. Para muitas pessoas, esses planos incluem a busca por um novo emprego. Mas o que fazer para não ser “engolido” pelo mercado, como agir para se diferenciar dos demais candidatos e garantir a vaga tão desejada?

Para Margareth Cardoso, psicóloga e mentora em gestão de carreira, a ansiedade típica do início do ano tem relação direta com as expectativas que criamos sobre a nossa carreira e com os objetivos mais agressivos que costumamos estabelecer nesse período, geralmente para realizá-los ao longo de um único ano.

Ela pontua que é fundamental trabalhar a gestão da carreira a longo prazo e não resumi-la a apenas uma lista de metas de ano novo. “Gestão de carreira envolve planejamento, a construção de um bom plano de ação e o mapeamento das ações e necessidades para que esse plano seja compatível com o momento atual da carreira de cada pessoa”, afirma a especialista.

Um problema muito comum que costuma ocorrer com quem está focado na busca de um novo emprego é a autossabotagem que, muitas vezes de forma inconsciente, dificulta ou impede o progresso em diferentes áreas da vida. Por isso, é importante estar vigilante ao próprio comportamento e ciente de que nem sempre as tentativas terão o resultado que se espera, mas que não se pode deixar de tentar quando se busca uma mudança.

“Ao tratar do medo do desemprego, é importante reconhecer que se trata de um medo real e legítimo. A situação de desemprego, de fato, traz impactos negativos significativos para a vida de uma pessoa. No entanto, esse medo pode levar a comportamentos excessivamente cautelosos, como evitar assumir riscos necessários para o crescimento profissional. Por exemplo, a pessoa pode deixar de se candidatar a uma promoção ou a uma nova posição dentro da própria empresa por medo de não dar certo. Com isso, acaba não se colocando em movimento e não progride na carreira”, fala Margareth.

Outro comportamento comum é a sensação de não estar preparada para o próximo passo, algo que acontece com muita frequência, especialmente entre as mulheres. Esse pensamento pode ser identificado como um padrão de autossabotagem, pois impede o avanço e, na maioria das vezes, não é realista, pois, em geral, as mulheres estão mais preparadas do que imaginam para assumir novas posições.

Margareth Cardoso fala sobre importância do autoconhecimento
Margareth Cardoso fala sobre importância do autoconhecimento | Foto: Divulgação

PRESSÃO NAS REDES

A pressão por resultados rápidos e pela imagem de sucesso também encontra combustível nas redes sociais. Segundo Margareth, o ambiente digital intensifica um comportamento que já é natural do ser humano: a comparação constante. “O problema é que, no mundo digital, essa comparação acontece 24 horas por dia. O que muitas vezes esquecemos é que o que aparece nas redes sociais é uma vida editada, e não a realidade”, explica.

Nesse cenário, padrões externos de sucesso passam a ditar expectativas irreais, gerando frustração e adoecimento emocional. “Esse ciclo constante de comparação não apenas intensifica a pressão por ‘chegar lá’, mas também contribui para o adoecimento emocional”, alerta.

Para lidar com essas pressões e fazer escolhas mais alinhadas, o autoconhecimento aparece como um elemento central. Margareth reforça que compreender a própria história, contexto, privilégios e limitações é fundamental para construir uma trajetória profissional possível e sustentável. “Uma trajetória profissional pode, sim, ser ambiciosa, mas quando parte do autoconhecimento, ela se torna também mais realista e sustentável”, afirma. Esse olhar permite respeitar o momento de vida, o ritmo e as condições reais de cada profissional.

Juliana Fernandes alerta que a pressa é inimiga do processo
Juliana Fernandes alerta que a pressa é inimiga do processo | Foto: Divulgação

SELEÇÃO

E quando o assunto são os processos seletivos, a ansiedade costuma ganhar destaque. Para a psicóloga, sentir nervosismo diante de avaliações é esperado, já que o ser humano, historicamente, associa a avaliação ao risco de exclusão. O problema surge quando essa ansiedade ultrapassa um nível proporcional e passa a comprometer o desempenho. Uma das estratégias apontadas por ela é buscar previsibilidade: entender etapas, prazos e manter um acompanhamento ativo do processo. “Essa postura ajuda o candidato a sair de uma posição passiva e a assumir uma gestão mais ativa do processo seletivo”, destaca.

As reprovações também fazem parte do caminho e exigem preparo emocional. Margareth explica que o “não” costuma ser interpretado pelo cérebro como rejeição, o que gera frustração. Por isso, acolher o sentimento, dar um tempo para processar a emoção e, depois, retomar o plano de ação são passos importantes. “Durante o processo, a pessoa faz o melhor que pode com os recursos e informações que tem naquele momento”, reforça, lembrando que novas oportunidades continuam surgindo.

Já o desemprego prolongado pode trazer impactos profundos à saúde mental, atingindo aspectos financeiros, sociais e emocionais. A perda de renda, o afastamento de grupos sociais e sentimentos como vergonha e impotência são fatores que aumentam o estresse e o sofrimento emocional. Diante desse cenário, manter a motivação durante a busca por recolocação exige estratégia e cuidado. “Para sustentar a motivação ao longo desse caminho, é fundamental relembrar constantemente o porquê da recolocação”, orienta Margareth, que também destaca a importância de uma rede de apoio, atividades de bem-estar e, quando necessário, trabalhos intermediários para garantir estabilidade.

Imagem ilustrativa da imagem Pós-Carnaval com estratégia
| Foto: drazen_zigic

A PRESSA COMO INIMIGA

Do ponto de vista do mercado, o início do ano costuma concentrar um volume maior de candidatos em busca de oportunidades. Juliana Fernandes, especialista em impulsionamento e desenvolvimento de carreira, observa que há um movimento mais consciente por parte de muitos profissionais, atentos às tendências e ao uso estratégico da tecnologia. Ainda assim, ela alerta para um comportamento recorrente nesse período: a pressa. “Parte dos candidatos acaba agindo com pressa, enviando currículos em massa, muitas vezes sem estratégia”, afirma.

Entre os erros mais comuns, Juliana destaca tratar o currículo apenas como um documento operacional. Para ela, o material precisa funcionar como uma ferramenta de posicionamento profissional. Currículos longos, genéricos e com foco excessivo em atividades, sem clareza de resultados, tendem a reduzir as chances de avanço. Além disso, a falta de alinhamento com as tendências atuais faz com que muitos profissionais experientes se tornem invisíveis para sistemas de recrutamento e recrutadores.

Outro ponto de atenção é o chamado “jeitinho brasileiro”, que ainda aparece nos processos seletivos por meio de exageros, títulos inflados e experiências difíceis de sustentar. Segundo Juliana, isso pode até gerar curiosidade no curto prazo, mas compromete a credibilidade no médio e longo prazo. “Hoje, mais do que nunca, a carreira é construída com base em reputação, coerência e consistência”, ressalta.

Na avaliação dela, embora experiência e formação sejam importantes, a postura comportamental costuma ser decisiva, especialmente em cargos de média e alta liderança. Saber se posicionar, comunicar resultados e alinhar discurso ao perfil da vaga faz diferença. Um currículo honesto e estratégico, explica Juliana, deve ser claro, coerente e refletir tanto os resultados alcançados quanto as competências demandadas pelo mercado atual, sempre em sintonia com o LinkedIn.

Para quem busca uma recolocação ética e sustentável, a especialista defende que o processo seja encarado como um projeto estratégico, e não apenas como uma reação ao desemprego. Clareza de posicionamento, coerência na narrativa e escolha cuidadosa das oportunidades são fatores que aumentam as chances de sucesso. Mesmo períodos longos fora do mercado podem ser ressignificados, desde que o profissional consiga explicar sua trajetória com maturidade e consistência.

Ao olhar para o início do ano como um recomeço, Juliana reforça que preparação é a palavra-chave. Por isso a importância de ajustar posicionamento, fortalecer a presença digital e alinhar as experiências às tendências do mercado. “Afinal, recomeçar profissionalmente exige intenção, clareza e preparo”, pontua.

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