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SAÚDE

Agonorexia: quando a redução do apetite vira um risco metabólico

Termo associado às canetas emagrecedoras levanta alerta sobre supressão extrema da fome

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Imagem ilustrativa da imagem Agonorexia: quando a redução do apetite vira um risco metabólico
| Foto: Freepik

Recentemente, um novo termo começou a circular nas redes sociais: agonorexia. A palavra combina agonista do GLP-1, como Ozempic, Saxenda e Mounjaro, com “anorexia” e vem sendo usada para descrever uma supressão exagerada do apetite associada ao uso das chamadas canetas emagrecedoras.

Embora ainda não seja um diagnóstico médico formal, o conceito reflete uma preocupação clínica real: quando a redução da fome - efeito esperado desses medicamentos - ultrapassa o limite fisiológico saudável.

Segundo o médico Djairo Araújo, que atua nas áreas de nutrologia e medicina esportiva, é importante diferenciar o efeito terapêutico do efeito adverso. “A diminuição do apetite faz parte do mecanismo de ação dessas medicações. O problema começa quando o paciente deixa de sentir qualquer sinal de fome e passa a ter ingestão nutricional insuficiente”.

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, atuam imitando hormônios intestinais que aumentam a saciedade e retardam o esvaziamento gástrico. Quando bem indicados, podem trazer benefícios importantes, como redução da ingestão calórica, melhora do controle glicêmico e melhora de parâmetros cardiometabólicos.

Para o especialista, o avanço terapêutico é significativo, desde que haja acompanhamento médico. “Em pacientes com obesidade e diabetes, o uso adequado pode trazer benefícios reais e sustentáveis. O acompanhamento médico é o que garante segurança”.

Imagem ilustrativa da imagem Agonorexia: quando a redução do apetite vira um risco metabólico
| Foto: Freepik

O alerta surge quando a redução da fome se torna extrema. Entre os sinais de risco estão ausência total de apetite, ingestão proteica insuficiente, perda de massa muscular, fadiga persistente, queda de desempenho físico e sinais de desnutrição. Nessas situações, especialistas passaram a utilizar o termo agonorexia para descrever um padrão alimentar disfuncional associado ao uso inadequado ou mal monitorado da medicação.

“A perda de gordura é desejável. A perda de músculo não. Quando o paciente reduz demais a ingestão alimentar ou não consome proteína suficiente, o impacto metabólico pode ser negativo”, explica o médico.

Outro ponto de preocupação é o uso das medicações com finalidade apenas estética. Os estudos de segurança dos agonistas de GLP-1 foram realizados principalmente em pessoas com obesidade ou diabetes. “São medicamentos de indicação médica específica. Não são ferramentas estéticas. O uso indiscriminado pode trazer desequilíbrios metabólicos e favorecer o efeito sanfona”, alerta Araújo.

O especialista reforça que o tratamento seguro envolve ajuste de dose, acompanhamento nutricional e monitoramento da composição corporal, com atenção especial à preservação da massa muscular. “O objetivo não é eliminar completamente a fome, mas regular o apetite. Existe uma diferença enorme entre controle e supressão”, fala.

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