ESPAÇO PET
Veterinários explicam a ciência por trás da independência dos gatos
Para tutores com rotina mais agitada, gatos são uma ótima opção para quem quer ter pet de estimação
Quando comparados com cães, os gatos podem ser considerados animais mais frios e por vezes até “sem coração”. No entanto, para quem tem a sorte de ter um felino em casa, sabe que a realidade é outra. A grande diferença é que os animais têm formas distintas de demonstrar seu amor aos tutores. Enquanto os cães são mais adeptos do contato físico e da interação com o humano, os gatos manifestam seu carinho de forma seletiva, sutil e com pouca dependência dos tutores.
Segundo veterinários, esse comportamento mais solitário não é por acaso e tem ligação com fatores históricos, biológicos e contextuais. Segundo a veterinária Edilaine Fernandes, o processo de domesticação dos felinos é mais recente que o dos cães, o que influencia a relação dos animais com os humanos. Além disso, os cachorros são provenientes dos lobos, bichos que vivem em grupos e têm comportamentos de cooperação, obediência, proteção e guarda.
Por sua vez, os gatos são descendentes de felinos selvagens e solitários, uma característica que se manteve até os dias atuais. Normalmente, os exemplares que mais demonstram comportamentos de independência são os gatos não domesticados. Quando tem convívio desde filhote com o tutor, eles ficam mais sociáveis.
“Gatos que vivem exclusivamente dentro de casa podem se tornar mais dependentes dos tutores. Já aqueles com acesso ao ambiente externo tendem a manter comportamentos mais autônomos”, compara Edilaine.
Alguns estudos comparativos entre cachorros e gatos já indicaram que os caninos têm mais neurônios no córtex cerebral, o que permite um processamento social melhor e maior habilidade em compreender e responder ao comando dos humanos.
“O cérebro felino mantém características mais próximas de um predador independente, enquanto o dos cães foi moldado para interação social”, diz o veterinário Fernando Resende.
Assim, o cérebro felino foca mais no ambiente e no que este pode oferecer a ele, do que os atores que fazem parte dele.
Portanto, caso você esteja interessado em ter um bicho de companhia, ter um gato pode não ser uma boa experiência. Por outro lado, para quem tem uma rotina mais agitada e não consegue dar atenção o tempo todo ao pet, os felinos lidam melhor e têm tolerância maior em ficar períodos desacompanhados.
Já em relação aos cuidados, a independência pode não ser uma boa notícia já que eles são menos permissivos a comandos, além de serem menos comunicativos.