loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 18/04/2026 | Ano | Nº 6206
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Maré

ESPAÇO PET

O primeiro amigo: DNA revela cães ao lado do homem há 15.800 anos

Pesquisas genômicas revelam que o elo entre humanos e cães resistiu a extinções e mudanças climáticas

Ouvir
Compartilhar
Imagem ilustrativa da imagem O primeiro amigo: DNA revela cães ao lado do homem há 15.800 anos
| Foto: Divulgação

A história da civilização costuma ser contada a partir da agricultura, mas a genética acaba de provar que a alcateia se uniu à tribo muito antes da primeira semente ser plantada. Enquanto nossos ancestrais ainda dividiam o horizonte com animais colossais como o rinoceronte-lanudo e o urso-das-cavernas, a cadelinha de Pinarbaşi, na Turquia, já era o que hoje chamamos de “pet“.

ENTENDA A PROFUNDIDADE

Fim do dilema lobo vs. cão: a genômica permitiu distinguir o que a morfologia dos ossos não conseguia, confirmando que há 15.800 anos a transição biológica do lobo para o cão já estava consolidada.

Resistência evolutiva: diferente de gigantes da Era do Gelo que foram extintos (como os mamutes), a parceria humano-canina sobreviveu a transformações drásticas de clima e cultura.

Geografia da domesticação: os dados sugerem que o “berço” canino está na Ásia (Sibéria ou Ásia Central), onde a diversidade genética atual ainda é maior.

Medicina comparada: o mapeamento desses genomas antigos ajuda a entender doenças modernas, como o câncer, que afligem tanto humanos quanto cães.

Imagem ilustrativa da imagem O primeiro amigo: DNA revela cães ao lado do homem há 15.800 anos
| Foto: Divulgação

DOMESTICAÇÃO

Para a ciência, domesticar não é um ato de adestramento individual, mas uma reengenharia biológica de gerações. De acordo com os estudos publicados na Nature, esse processo alterou comportamentos instintivos e características físicas para que o lobo desse lugar a uma nova espécie: o Canis lupus familiaris.

O uso de técnicas de “pescaria” de DNA antigo pelo Instituto Francis Crick permitiu identificar 14 cães entre 130 amostras de fragmentos ósseos. A proximidade genética entre os animais da Turquia, Inglaterra (Caverna Gough) e Suíça (Kesslerloch) indica que, há 14 mil anos, uma população de cães já estava distribuída por milhares de quilômetros, acompanhando grupos de caçadores-coletores nômades.

Os estudos também iluminam o destino dos cães no Novo Mundo. Sabe-se que os primeiros humanos a cruzar a ponte de terra de Bering, entre a Sibéria e o Alasca, trouxeram seus cães. Embora essa linhagem original tenha desaparecido quase por completo com a chegada dos colonizadores europeus, vestígios genéticos sobreviveram.

Na Turquia, o enterro intencional de cães sobre corpos humanos reforça que a morte não rompia o vínculo.

O desafio agora, como aponta o geneticista Lachie Scarsbrook, da Universidade Ludwig Maximilian, é encontrar o local exato da “primeira faísca” em algum lugar da vastidão asiática, onde o primeiro lobo decidiu trocar a floresta pelo calor da fogueira humana.

Relacionadas