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Fertilidade e tempo: até quando é possível escolher ser mãe?

Especialista em reprodução humana explica impacto da fertilidade e cita importância do planejamento

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Médica fala sobre a fertilidade para quem tem idade mais avançada
Médica fala sobre a fertilidade para quem tem idade mais avançada | Foto: Divulgação

A decisão de ser mãe tem sido cada vez mais planejada e, muitas vezes, adiada, acompanhando mudanças no estilo de vida e a maior presença feminina no mercado de trabalho, mas do ponto de vista biológico nada mudou e o tempo continua sendo um fator determinante para a fertilidade.

De acordo com a ginecologista especialista em reprodução humana Amanda Vigó, não existe uma idade limite fixa que se aplique a todas as mulheres, porém a ciência mostra de forma consistente que a fertilidade diminui com o passar dos anos, se tornando mais significativa após os 40.

Segundo ela, esse processo ocorre tanto pela redução da quantidade de óvulos quanto pela diminuição da qualidade deles, o que também aumenta o risco de alterações genéticas e complicações durante a gestação.

Além da idade, diversos fatores podem impactar a fertilidade feminina, como alterações hormonais, incluindo a síndrome dos ovários policísticos, condições ginecológicas como endometriose, miomas e problemas nas trompas, além de fatores relacionados ao estilo de vida, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse, obesidade ou baixo peso, e também fatores genéticos, como a menopausa precoce.

A identificação dessas condições pode ser feita por meio do acompanhamento ginecológico de rotina aliado a exames específicos, como a dosagem do hormônio antimülleriano, a ultrassonografia para contagem de folículos ovarianos e avaliações hormonais, o que reforça a importância de que a mulher realize seu planejamento reprodutivo com um especialista por volta dos 30 anos para compreender melhor sua fertilidade e tomar decisões mais seguras sobre o futuro.

Mesmo sem sinais evidentes, a fertilidade pode estar comprometida, embora alguns indícios possam servir de alerta, como ciclos menstruais irregulares ou ausentes, cólicas intensas, histórico de abortos ou dificuldade para engravidar após um período de tentativas, sendo recomendado buscar ajuda médica após um ano de tentativas para mulheres com menos de 35 anos ou seis meses para aquelas com 35 anos ou mais.

Com os avanços da medicina reprodutiva, mulheres que optam por postergar a gravidez contam hoje com alternativas como o congelamento de óvulos, que apresenta melhores resultados quando realizado antes dos 35 anos.

Importante saber que o congelamento não garante uma gestação futura, mas amplia significativamente as possibilidades. Para a ginecologista, atualmente a mulher não precisa optar entre o lado profissional e a maternidade. “Hoje a mulher não precisa mais escolher, pois ela pode ter os dois, desde que se planeje”, conclui a especialista.

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