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DO DIAGNÓSTICO AO CUIDADO

Alergia: o risco que mora nos detalhes

Médica especialista fala sobre os riscos de ignorar alergias e a atenção que se deve dar aos sinais

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Foto:@Ailton Cruz
Foto:@Ailton Cruz | Foto: Ailton Cruz

A morte recente de um turista em Marechal Deodoro após consumir caranguejo acendeu um alerta importante sobre os riscos das alergias alimentares. O homem sabia que era alérgico a camarão, mas desconhecia que a sensibilidade poderia se estender a outros crustáceos. Poucos minutos depois de ingerir o alimento, sofreu um choque anafilático, que levou à insuficiência respiratória, e não resistiu. O caso chama atenção para um problema que, muitas vezes, é tratado com pouca seriedade, mas pode evoluir rapidamente para situações fatais.

Especialistas alertam que conhecer as próprias alergias é fundamental para evitar complicações. Isso porque substâncias aparentemente inofensivas, como alimentos comuns, poeira, medicamentos ou até picadas de insetos, podem desencadear reações intensas em pessoas sensibilizadas.

Segundo a alergologista Eliane Jordão, identificar precocemente os sinais e saber exatamente quais substâncias devem ser evitadas pode salvar vidas. De acordo com a médica, a alergia é uma resposta exagerada e inadequada do sistema imunológico a substâncias normalmente inofensivas ao organismo, como pólen, poeira, determinados alimentos ou venenos de insetos. “O organismo da pessoa alérgica interpreta erroneamente essas substâncias como invasores perigosos e passa a combatê-las”, explica.

Ela afirma que o processo acontece em etapas. Primeiro ocorre a sensibilização, geralmente no primeiro contato com o agente alergênico. Em exposições futuras, o corpo libera substâncias como a histamina, provocando inflamações e os sintomas típicos das crises alérgicas.

As alergias estão entre os problemas de saúde mais comuns da atualidade e podem afetar significativamente a qualidade de vida das pessoas. Em muitos casos, os sintomas são confundidos com doenças simples do cotidiano, o que acaba atrasando o diagnóstico correto e aumentando os riscos de agravamento.

Espirros constantes, coceiras, manchas na pele, falta de ar e inchaços podem ser reações passageiras, mas também podem representar um alerta importante do organismo. Entre os tipos mais comuns estão as alergias respiratórias, como rinite e asma; as cutâneas, como dermatite e urticária; além das alimentares, frequentemente associadas ao leite, ovos e frutos do mar.

Também são comuns alergias a medicamentos e a picadas de insetos. As reações respiratórias, por exemplo, costumam ser intensificadas por fatores ambientais, como poeira, mofo, fumaça, poluição e mudanças bruscas de temperatura. Já as alergias cutâneas podem surgir após contato com cosméticos, tecidos, produtos de limpeza ou determinados metais. Em relação às alimentares, o cuidado precisa ser ainda maior, já que pequenas quantidades do alimento podem desencadear crises graves.

Foto:@Ailton Cruz
Foto:@Ailton Cruz | Foto: Ailton Cruz

A especialista destaca que as alergias podem surgir em qualquer fase da vida, desde a infância até a terceira idade. “Uma pessoa pode desenvolver alergia grave a um alimento que consumia normalmente, porque o sistema imunológico passa a enxergá-lo como ameaça”, afirma.

Essa possibilidade costuma surpreender muitas pessoas, principalmente adultos que nunca apresentaram qualquer histórico alérgico. Segundo especialistas, o fato de alguém consumir determinado alimento por anos não significa que estará imune ao desenvolvimento de uma reação futura. O organismo pode passar por alterações ao longo da vida e desenvolver novas sensibilidades.

A médica Eliane Jordão explica que existe, ainda, a predisposição genética para o desenvolvimento de alergias. Quando um dos pais possui algum quadro alérgico, as chances de o filho também desenvolver o problema variam entre 30% e 50%.

Além da herança genética, fatores ambientais e hábitos de vida também podem influenciar no surgimento e agravamento das crises. Ambientes fechados, exposição constante à poeira, contato com fumaça de cigarro e alimentação inadequada são alguns elementos que podem contribuir para o aumento da sensibilidade do organismo. Entre os alimentos que mais causam reações graves estão crustáceos, peixes, leite de vaca, amendoim e castanhas. Por isso, quem possui alergia a camarão, por exemplo, deve evitar também alimentos semelhantes, como caranguejo e lagosta, devido à semelhança entre as proteínas desses crustáceos.

O caso ocorrido em Marechal Deodoro reforça justamente esse alerta. Muitas pessoas acreditam que a alergia está relacionada apenas a um alimento específico e desconhecem as chamadas reações cruzadas, quando proteínas semelhantes presentes em outros alimentos também provocam respostas do sistema imunológico.

Foto:@Ailton Cruz
Foto:@Ailton Cruz | Foto: Ailton Cruz

Os principais sinais de uma reação alérgica grave incluem inchaço na garganta, dificuldade para respirar, náuseas, queda de pressão e urticária generalizada.

Nesses casos, a orientação é procurar socorro imediatamente, considerando que quadros de anafilaxia podem evoluir em poucos minutos. A anafilaxia, inclusive, é considerada uma das formas mais perigosas de reação alérgica. Ela pode comprometer rapidamente a respiração e a circulação sanguínea, levando o paciente à perda de consciência e até à morte. Em situações assim, cada minuto faz diferença para evitar complicações irreversíveis.

Segundo Eliane Jordão, o tratamento emergencial mais indicado é a aplicação de adrenalina por meio de autoinjetor de epinefrina, dispositivo recomendado especialmente para pessoas que já tiveram reações graves anteriormente. A médica também ressalta que fatores emocionais podem agravar crises alérgicas.

“O estresse e algumas emoções intensas aumentam a liberação de hormônios ligados à inflamação, potencializando os sintomas”, explica.

Em meio à rotina acelerada e aos altos níveis de ansiedade enfrentados pela população, especialistas observam que o equilíbrio emocional também passou a ser um aliado importante no controle das doenças alérgicas. Situações de tensão podem intensificar sintomas respiratórios e cutâneos, aumentando o desconforto dos pacientes.

Foto:@Ailton Cruz
Foto:@Ailton Cruz | Foto: Ailton Cruz

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico das alergias pode ser feito por meio de exames de sangue e testes específicos, como o prick test, utilizado para identificar sensibilidades a determinadas substâncias. O acompanhamento médico é essencial para definir o tratamento adequado e orientar o paciente sobre prevenção e controle das crises. Outra recomendação importante é que pessoas diagnosticadas com alergias alimentares tenham atenção redobrada ao consumir refeições fora de casa.

Ler rótulos, questionar ingredientes e informar restaurantes sobre as restrições alimentares são atitudes fundamentais para evitar acidentes. Em meio a tudo isso, a boa notícia é que as alergias podem desaparecer com o tempo. “Isso acontece quando o sistema imune aprende a tolerar certas substâncias”, pontua a especialista.

Apesar disso, médicos alertam que nenhum quadro alérgico deve ser negligenciado, principalmente quando já houve histórico de reação intensa. Mesmo sintomas considerados leves podem evoluir de forma imprevisível em uma nova exposição ao agente causador.

Por fim, ela reforça que informação e prevenção continuam sendo as principais formas de proteção. “Reconhecer os sintomas rapidamente e agir de imediato pode fazer toda a diferença entre uma recuperação segura e uma tragédia”, conclui.

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