SAÚDE
Jejum é melhor que dieta para emagrecer? Estudo indica que não
Análise não encontrou diferenças significativas na perda de peso entre quem seguiu o método
O jejum intermitente ganhou popularidade como uma estratégia para emagrecer, especialmente por seus possíveis benefícios metabólicos. Mas há evidências de que a suspensão da alimentação em certos períodos não é mais eficaz do que dietas tradicionais para perda de peso. Essa foi a conclusão de uma análise de 22 ensaios clínicos, com quase 2 mil adultos com sobrepeso ou obesidade, publicada em fevereiro na Cochrane Library.
No estudo, foram avaliados modelos com uma janela de tempo restrita ao longo do dia, jejum em dias específicos da semana, jejum em dias alternados, além da dieta 5:2, em que se mantém alimentação habitual por cinco dias e restrição calórica em dois dias não consecutivos.
“A lógica é relativamente simples: prolongar períodos sem ingestão de calorias para reduzir a ingestão energética total. Fisiologicamente, isso pode aumentar a mobilização de gordura e gerar adaptações metabólicas”, diz o endocrinologista Rafael Scarin.
Apesar desses mecanismos, os resultados indicam que, na prática, o impacto sobre o peso corporal é semelhante ao das dietas convencionais, que restringem calorias sem cortar refeições completamente. A diferença média encontrada foi pequena e estatisticamente não significativa: os que seguiram algum método de jejum perderam cerca de 300 gramas em relação aos grupos controle.
Parte da popularidade do jejum intermitente está associada à ideia de que poderia gerar benefícios metabólicos adicionais. Segundo o endocrinologista, há evidências de alterações fisiológicas nesse sentido. No entanto, essas alterações não se traduzem necessariamente em vantagens clínicas.