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Mais do que estética: a pele também fala sobre a saúde do homem

Exposição ao sol, resistência para buscar especialista e ausência do protetor solar acarreta em problemas

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Homens precisam ficar atento aos sinais apresentados pela pele
Homens precisam ficar atento aos sinais apresentados pela pele | Foto: Divulgação

Durante a infância, o aposentado José de Carvalho passava boa parte dos dias sob o sol forte vendendo flau, amendoim e pipas para ajudar nas despesas da família. Na época, usar protetor solar era um hábito distante da realidade de muitas pessoas. Décadas depois, vieram as consequências: manchas que pareciam apenas marcas do tempo começaram a aparecer na pele.

Foi a insistência da filha para que procurasse um médico que mudou a história dele. O diagnóstico revelou um câncer de pele. "Foi bem difícil. Depois dos 40 anos começaram a surgir manchas, mas eu não dei importância. Minha filha percebeu que algumas eram diferentes e insistiu para que eu procurasse um médico. Fiz todo o tratamento e, hoje, até dentro de casa uso protetor solar", conta.

Histórias como a de José ainda são comuns entre homens que, por hábito ou desconhecimento, deixam o cuidado com a pele para segundo plano e procuram um dermatologista apenas quando surgem manchas, feridas ou alterações visíveis.

Para a dermatologista Cecília Pugliese, esse comportamento precisa mudar. Segundo ela, cuidar da saúde masculina vai muito além das consultas periódicas com clínicos gerais e cardiologistas.

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Uso de protetor solar no dia a dia é algum ainda incomum entre os homens
Uso de protetor solar no dia a dia é algum ainda incomum entre os homens | Foto: Divulgação

"O homem também precisa procurar outros especialistas e não pode esquecer da pele. Além do envelhecimento cutâneo, existem doenças importantes, como o câncer de pele, que podem ser identificadas precocemente durante uma consulta dermatológica", afirma.

De acordo com a especialista, é comum que muitos homens só passem a procurar acompanhamento dermatológico de forma regular após os 60 anos, quando os sinais do envelhecimento já estão mais evidentes e parte dos danos causados pela exposição solar ao longo da vida já se instalou.

O sol deixa marcas que vão além da aparência

Em estados como Alagoas, onde a incidência de radiação ultravioleta é elevada durante praticamente todo o ano, a exposição excessiva ao sol representa um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pele, que é o tipo mais frequente no Brasil.

Além da doença, a radiação acelera o fotoenvelhecimento, processo responsável pelo surgimento de manchas, rugas, perda da elasticidade e flacidez da pele.

"A exposição prolongada ao sol pode provocar manchas escuras, manchas claras e também favorecer o surgimento de lesões malignas. Por isso, qualquer alteração na pele merece avaliação de um dermatologista", alerta Cecília Pugliese.

Sinais que aparecem na pele não devem ser desconsiderados
Sinais que aparecem na pele não devem ser desconsiderados | Foto: Divulgação

A médica explica que qualquer pessoa pode fazer uma observação inicial da própria pele utilizando a regra do ABCDE, método adotado por dermatologistas para identificar sinais suspeitos de melanoma.

A letra A indica assimetria; a B, bordas irregulares; a C, alterações na cor; a D, diâmetro superior a cinco ou seis milímetros; e a E representa evolução, quando a pinta cresce, muda de aspecto, sangra ou apresenta qualquer outra alteração.

"Se a pessoa perceber qualquer uma dessas características, deve procurar um dermatologista para uma avaliação especializada", orienta.

Protetor solar ainda não faz parte da rotina masculina

Embora as campanhas de conscientização tenham aumentado nos últimos anos, o uso diário do protetor solar ainda está longe de fazer parte da rotina da maioria dos homens. Muitos aplicam o produto apenas em dias de praia ou piscina, ignorando a exposição diária durante o trabalho, a prática esportiva e os deslocamentos pela cidade.

A dermatologista destaca que esse argumento já não encontra respaldo na variedade de produtos disponíveis atualmente. "Hoje existem protetores com toque seco, em gel, spray e bastão, desenvolvidos justamente para quem não gosta daquela sensação oleosa. Há opções para quem pratica esportes, trabalha ao ar livre e até para pessoas com calvície”.

Segundo a especialista, o ideal é aplicar o protetor cerca de 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplicá-lo ao longo do dia, principalmente após suor intenso ou contato com a água.

Entre os homens com calvície, o cuidado deve ser ainda maior, já que o couro cabeludo fica diretamente exposto à radiação ultravioleta, aumentando o risco de queimaduras e lesões.

Dermatologista Cecília Pugliese fala sobre a importância dos cuidados com a pele
Dermatologista Cecília Pugliese fala sobre a importância dos cuidados com a pele | Foto: Divulgação

Tratar a acne cedo evita cicatrizes permanentes

A resistência masculina aos cuidados com a pele também aparece na adolescência. Aos 26 anos, Jairo Fernandes ainda convive com as marcas deixadas pela acne. Durante o tratamento, admite que não seguiu corretamente as orientações médicas, decisão da qual hoje se arrepende.

"Eu tinha preguiça de passar o remédio e de lavar o rosto direito. Também não seguia a alimentação recomendada enquanto fazia o tratamento com Roacutan. Hoje tenho muitas manchas e isso ainda me incomoda", relata.

Segundo Cecília Pugliese, quanto mais cedo a acne é tratada, menores são as chances de surgirem cicatrizes permanentes e impactos emocionais.

"As espinhas podem deixar marcas para toda a vida. Além da questão estética, isso interfere diretamente na autoestima de muitos adolescentes. Por isso, o tratamento precoce faz toda a diferença”, pontua.

Prevenção é o melhor tratamento

Nos últimos anos, o número de homens que procuram consultórios dermatológicos para procedimentos estéticos também aumentou. Aplicações de toxina botulínica, bioestimuladores de colágeno, lasers e outras tecnologias passaram a fazer parte da rotina masculina. Apesar desse crescimento, Cecília Pugliese reforça que a estética deve ser consequência de um cuidado mais amplo com a saúde.

"Hoje existem diversos tratamentos que preservam as características masculinas e não mudam a aparência do paciente. Mas o mais importante continua sendo procurar o dermatologista não apenas por estética, e sim para prevenir doenças e manter a saúde da pele ao longo da vida”, fala.

Mais do que preservar a aparência, cuidar da pele significa investir em saúde. Em um estado de clima quente e alta incidência solar como Alagoas, consultas periódicas, uso diário de protetor solar e atenção a manchas ou lesões suspeitas podem fazer a diferença entre um tratamento simples e o diagnóstico tardio de uma doença que, na maioria dos casos, pode ser evitada ou identificada precocemente.

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