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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Protagonista de uma nova história

Marina Candia fala sobre experiência e projetos caso se torne primeira-dama de Alagoas

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Embora não ocupe, necessariamente, um cargo público ou tenha atribuições administrativas formais, a esposa de um governador pode exercer uma importante função de articulação e mobilização social. Por meio do diálogo com comunidades, instituições e organizações da sociedade civil, a primeira-dama pode dar visibilidade a causas relevantes, incentivar parcerias, fortalecer e desenvolver ações que promovam inclusão e melhorias sociais. Nesse contexto, sua atuação representa uma oportunidade de transformar a visibilidade do cargo em iniciativas concretas de impacto para a população.

Com experiência de cinco anos e quatro meses como primeira-dama de Maceió, Marina Antunes Candia e Figueiredo, que é candidata a senadora por Alagoas nessas eleições, encontrou o espaço para desenvolver um trabalho voltado principalmente à saúde, à inclusão e ao protagonismo feminino. Agora, ela pode voltar a ocupar o posto de primeira-dama, caso o marido, JHC, seja eleito governador do estado. Embora a possibilidade de retornar à função faça parte de sua trajetória, Marina afirma que sua atuação não se limita a um cargo ou posição institucional.

Aos 35 anos, Marina reúne diferentes experiências que ajudam a compreender sua trajetória pública. Natural de Cuiabá, no Mato Grosso, ela é administradora de empresas, pós-graduada em Inovação na Gestão Pública pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), estudante de Direito e pecuarista. Mãe de dois filhos, construiu sua identidade pública em Maceió, entre a família, o incentivo ao empreendedorismo e a atuação em causas sociais, se destacando pela desenvoltura nas redes sociais, onde acumula mais de 500 mil seguidores.

Em entrevista exclusiva ao Maré, Marina contou que a sua ligação com o trabalho social começou ainda na infância, quando recebeu influências que ajudaram a moldar tanto sua relação com o agronegócio quanto sua sensibilidade para as questões voltadas ao cuidado com as pessoas. A formação em Administração e a especialização em gestão pública também contribuíram para aproximá-la do universo das políticas públicas.

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“Venho de uma família muito unida, com valores muito fortes. Fui criada por meu pai, engenheiro e pecuarista. Daí minha forte ligação com o agro. E por minha mãe, assistente social, que me mostrou a importância do cuidado com as pessoas. Essa mistura me fez uma pessoa forte, resiliente, com coragem para enfrentar as coisas e, ao mesmo tempo, com muita sensibilidade social. Cresci com a consciência de que tive privilégios que a maioria das pessoas não tem. Mas isso só me fez abraçar a missão e a oportunidade de mudar a vida de quem mais precisa”, afirma Marina.

A experiência como primeira-dama de Maceió foi, segundo Marina, o período em que encontrou sua missão. Longe de se identificar com uma atuação restrita a cerimônias e compromissos protocolares, ela buscou participar de iniciativas sociais e acompanhar de perto as necessidades da população.

O contato com moradores de grotas e comunidades da capital alagoana, onde encontrou histórias de dificuldades e resistência, teve papel importante nesse processo. A partir dessas visitas, Marina afirma que passou a pesquisar programas e buscar soluções que pudessem contribuir para a transformação da realidade das famílias.

Entre as iniciativas às quais associa sua atuação estão os programas Gigantinhos e Saúde da Gente, o Banco da Mulher Empreendedora e a Casa do Autista. Para ela, o trabalho desenvolvido em Maceió foi resultado de uma combinação entre escuta, estudo e busca por alternativas para problemas que, em sua avaliação, permaneceram por muito tempo sem solução.

Saúde, inclusão e oportunidades para mulheres

As áreas que mobilizam Marina estão diretamente relacionadas à experiência que acumulou como primeira-dama de Maceió. Saúde, inclusão e geração de oportunidades para mulheres aparecem entre os temas aos quais dedica maior atenção, ao lado da educação e da proteção social.

A defesa dessas causas, segundo ela, parte da percepção de que os problemas enfrentados pelas famílias precisam ser compreendidos a partir da realidade de quem convive com eles. Por isso, a presença nas comunidades e o diálogo com moradores são aspectos que pretende preservar em sua atuação pública.

Marina afirma que a experiência em Maceió ampliou seu conhecimento sobre os desafios de Alagoas e sobre as possibilidades de desenvolver políticas públicas. Também diz que, com o aprendizado adquirido, pretende buscar soluções mais rápidas e eficientes para os problemas.

A forma como enxerga o papel de uma primeira-dama também está relacionada a essa perspectiva. Para ela, a função não precisa ser meramente simbólica, mas deve ser exercida com responsabilidade e transparência, respeitando os limites entre a atuação social e a gestão pública.

“Nunca me encaixaria naquele modelo de primeira-dama meramente decorativo. Usei a minha condição para mostrar trabalho. Uma primeira-dama não assina decreto, mas pode e deve contribuir com a gestão, desde que com responsabilidade e transparência. Nesses anos ao lado de JHC eu nunca recebi um centavo de dinheiro público, meu foco sempre foi melhorar a vida de quem o poder público havia esquecido por décadas”, destaca Marina.

Se a atuação social é uma das marcas de sua trajetória pública, a família ocupa um lugar central na imagem que Marina compartilha com seus seguidores. Nas redes sociais, ela costuma publicar vídeos e registros do cotidiano com o marido e os filhos, além de momentos de contato com a população.

O conteúdo ajuda a aproximar a personagem pública de sua rotina pessoal. A espontaneidade, a comunicação direta e a facilidade de interação, especialmente com crianças e adolescentes, são características que se destacam nas publicações e contribuem para o carisma que construiu no ambiente digital. “Sou uma pessoa que faz tudo sempre guiada pela minha fé. Sou intensa, comunicativa e apaixonada pelos meus dois filhos”, se autodescreve.

A exposição pública, no entanto, também traz cobranças e críticas. Ela afirma que aprendeu a distinguir os comentários que podem contribuir para melhorar seu trabalho daqueles que considera ataques pessoais e diz que procura ouvir as sugestões e manter a disposição para rever o que for necessário.

A presença da família, segundo ela, ajuda a manter os pés no chão e a lembrar das responsabilidades que acompanham a vida pública.

“Quem encara a vida pública não pode ter medo de cobrança. Aliás, adoro ouvir quando ando na rua que tem algo aqui ou ali para melhorar, ouço tudo e encaro de frente. E já entendi que exposição faz parte do jogo, principalmente quando você é mulher e ocupa um espaço de decisão. Aprendi a separar o que é crítica construtiva do que é ataque só por atacar. A primeira eu escuto, porque me ajuda a enxergar o que posso melhorar. A segunda eu não deixo entrar, porque geralmente não é sobre o meu trabalho, é sobre o incômodo que causa uma mulher que mostra serviço e ocupa espaço. Sei separar as duas coisas”, pontua.

Entre a experiência e os novos caminhos

A possibilidade de voltar a ser primeira-dama, agora no âmbito estadual, representa para Marina a oportunidade de ampliar uma experiência que começou em Maceió. Ela afirma que o aprendizado acumulado nos últimos anos lhe deu mais segurança para contribuir com iniciativas voltadas às famílias alagoanas.

Ao mesmo tempo, como única candidata ao Senado por Alagoas, ela coloca a trajetória em outra perspectiva. Marina diz que pretende levar para o Legislativo a experiência adquirida no contato com a população e na busca por soluções para problemas sociais.

Independentemente do espaço que venha a ocupar, afirma que deseja ser lembrada pela disposição de ouvir e servir. A ideia resume a maneira como procura apresentar sua trajetória: menos vinculada ao título que ocupa e mais relacionada à atuação que pretende desenvolver.

“Quero que as pessoas lembrem que eu não fiquei esperando o cargo para agir. Que usei cada espaço, fosse qual fosse, para tirar pessoas da invisibilidade. Para dar voz a quem não era ouvido. Independentemente da função que eu venha a exercer, o legado que desejo deixar é o mesmo: que usei a oportunidade de servir o povo de Alagoas e ajudei a transformar a vida das pessoas e abrir caminhos para quem mais precisa”, diz.

Quando questionada sobre uma frase que poderia resumir sua atuação como pessoa pública, ela responde ‘Ouvir, servir e transformar a vida das pessoas’ e cita o Evangelho de Marcos na passagem que diz ‘nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos’.

“Quando entendemos isso, temos consciência que nossa missão é servir e dar o melhor às pessoas”, conclui Marina.

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