OUTUBRO ROSA
Antes da quimioterapia, preservar a fertilidade também é importante
Médica alerta para importância de discutir o congelamento de óvulos antes do tratamento oncológico
Receber um diagnóstico de câncer muda planos, prioridades e perspectivas. Em meio à urgência de iniciar o tratamento, falar sobre uma possível maternidade no futuro pode parecer desnecessário. Mas, para mulheres em idade reprodutiva, essa conversa pode ser importante ainda no início da jornada oncológica.
Alguns tratamentos contra o câncer, especialmente determinados tipos de quimioterapia e radioterapia, podem provocar danos aos ovários e reduzir a fertilidade. Por isso, a preservação dos óvulos antes do início da terapia pode ser uma alternativa para mulheres que desejam manter a possibilidade de uma gestação no futuro.
“A paciente acabou de receber um diagnóstico e, naquele momento, naturalmente, a prioridade é tratar o câncer. Mas é importante que ela também seja orientada sobre os possíveis impactos do tratamento na sua fertilidade. Quando existe indicação, o congelamento de óvulos pode ser realizado antes da quimioterapia e permite preservar uma possibilidade reprodutiva para o futuro”, explica a especialista em reprodução humana Amanda Vigó.
A importância dessa conversa ganhou visibilidade recentemente com casos de mulheres que decidiram preservar a fertilidade antes de iniciar o tratamento. Em janeiro de 2026, a influenciadora Bruna Furlan, então com 24 anos, revelou ter congelado 18 óvulos antes de começar a quimioterapia para tratar um câncer de mama metastático. Ela compartilhou nas redes sociais que passou pela coleta dos óvulos nos dias anteriores ao início da quimioterapia.
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O caso chama atenção justamente porque mostra que a preservação da fertilidade pode fazer parte do planejamento do tratamento mesmo quando o diagnóstico acontece em uma idade jovem e de forma inesperada.
Uma conversa que precisa acontecer cedo
Segundo Amanda Vigó, o principal ponto é não esperar o término do tratamento para discutir as consequências que ele pode trazer para a fertilidade. “A preservação da fertilidade precisa entrar na conversa o quanto antes. Não significa que toda mulher com câncer necessariamente precisará congelar os óvulos, mas que ela deve ter acesso à informação para, junto com a equipe médica, avaliar se essa é uma opção adequada para o seu caso”, explica.
A orientação também está presente nas diretrizes internacionais. Em 2025, a American Society of Clinical Oncology (ASCO) atualizou suas recomendações e reforçou que profissionais que cuidam de pacientes com câncer devem discutir a preservação da fertilidade no momento do diagnóstico e também durante o acompanhamento após o tratamento.
Isso porque o congelamento não representa uma garantia de gravidez no futuro. Ele é uma estratégia para preservar possibilidades reprodutivas. O resultado de uma futura tentativa dependerá de diferentes fatores, entre eles a idade da mulher quando os óvulos foram coletados, a quantidade e qualidade dos óvulos e as condições clínicas no momento da utilização.
“Cuidar do câncer é a prioridade, mas cuidar da mulher como um todo também significa olhar para os projetos que ela tem para a vida depois do tratamento. A maternidade pode ou não estar entre esses projetos, mas essa decisão deve pertencer à mulher. Por isso, ela precisa saber que existem estratégias de preservação e ter a oportunidade de conversar sobre elas antes de iniciar o tratamento”, destaca Amanda.